
sexta-feira, dezembro 23, 2011
quinta-feira, dezembro 22, 2011
NATAL SIM: A TERRA DO FOGO - O MADEIRO DE PENAMACOR
A curta-metragem sobre o madeiro de Penamacor, que estreia na vila esta quarta-feira, dia 21, já pode ser vista na internet.
O filme é o resultado de uma candidatura ao concurso promovido pelo Movimento SIM, uma iniciativa da Samsung que pretende promover a criatividade.
O filme é protagonizado pelos jovens actores Henrique Gil e António Sanches, contando com a participação dos habitantes da vila nos restantes papéis. A realização é de Manuel Pureza, que realiza a telenovela "Rosa Fogo", em exibição na SIC.
O madeiro de Penamacor é considerado o maior do país, sendo transportado todos os anos para o adro da igreja matriz da vila.
Texto jornal Reconquista online
quarta-feira, dezembro 07, 2011
PORTAGENS NA A23 - O INTERIOR A EMPOBRECER
domingo, novembro 27, 2011
quarta-feira, novembro 16, 2011
Viajar na Linha da Beira Baixa: diz que é uma espécie de Intercidades
Três meses depois de a electrificação da linha estar terminada, a CP mudou os comboios Intercidades, mas garante que o conforto é o mesmo. O i foi tirar a prova dos noves.
José Sócrates tinha prometido a conclusão da electrificação da Linha da Beira Baixa para 2009, mas as obras até à Covilhã só terminaram a 31 de Julho deste ano. A última fase custou mais de 100 milhões de euros e trazia a maior vantagem para os passageiros: deixou de ser preciso trocar a máquina do comboio Intercidades na estação de Castelo Branco, poupando-se cerca de 20 minutos entre Lisboa e a Covilhã. De quatro horas de viagem passou-se para 3 e 41 – pelo menos em teoria. Três meses depois de a electrificação da linha ter chegado à Covilhã, a CP decidiu substituir os tradicionais comboios de longo curso por automotoras eléctricas. Uma mudança, argumenta a empresa, que permitirá poupar 1,5 milhões de euros por ano, mantendo o mesmo conforto para os passageiros. O i fez-se à linha da Beira Baixa para experimentar as novas carruagens e tirar a prova dos noves, numa viagem de mais de oito horas entre Lisboa-Oriente e a Covilhã.
A automotora Por pouco – e não fosse a jornalista ter avisado ao telefone minutos antes do embarque –, o fotógrafo teria ficado até às seis da tarde sem almoçar. É que as novas automotoras, reformuladas propositadamente para circularem até à Covilhã (num investimento que rondou os 600 mil euros), não têm serviço de bar. Para quatro horas de viagem existem apenas duas máquinas de vending instaladas numa das carruagens de segunda classe, com águas (1,20 euros cada), batatas fritas, gomas, chocolates e embalagens de minicroissants. A decisão de acabar com o bar, explica a CP, teve a ver com a “pouca procura” do serviço. Depois da entrada no comboio, às 13h26 em ponto, rapidamente se percebeu que o serviço é substancialmente diferente do anterior, apesar de o preço dos bilhetes ser o mesmo. Os bancos são parecidos com os de um comboio suburbano e nem sequer há cortinas, nem mesmo na primeira classe. Ainda assim, a CP garante que o conforto é o mesmo, que até há melhores acessos, casas de banho mais modernas e mais espaço disponível. Mas as melhores condições, diz a empresa, encontram-se mesmo na primeira classe – “onde existe maior conforto dos bancos, mais espaço e tomadas para carregamento de portáteis”. Ora os bancos são praticamente iguais aos da segunda classe (só muda a cor). O tal espaço acrescido resulta de existirem menos meia dúzia de bancos na carruagem e quanto às tomadas não estavam a funcionar. Apesar de existirem poucas diferenças entre a primeira e a segunda classe, os dez passageiros que viajaram na carruagem conforto até à Covilhã pagaram mais 5,5 euros de bilhete.
A poupança O novo modelo de comboio, garante a CP, vai permitir poupar 1,5 milhões de euros por ano, sublinha a empresa, devido a uma maior eficiência energética, dado que o consumo das automotoras é “inferior” ao das locomotivas. Além disso, o novo comboio permite também cortar no pessoal, por ter duas cabines de maquinista – uma à frente e outra atrás da composição. À chegada às estações terminais, a CP tinha de pagar à REFER para que disponibilizasse manobradores para virarem a locomotiva ao contrário antes de seguir novamente viagem. O encargo deixa agora de existir: para fazer a viagem de regresso basta que o maquinista se mude para a outra cabine. Nas estações do Fundão e da Covilhã – recentemente remodeladas – já não existem funcionários a maior parte do tempo. As bilheteiras estão fechadas e a compra dos bilhetes é feita já dentro do comboio, junto do revisor. A tarefa pode ser complicada nos dias em que há maior procura do serviço, às sextas-feiras e ao domingo.
Os passageiros Em 2009 houve 288 mil passageiros a utilizar a Linha da Beira Baixa, segundo os dados da CP. No ano passado viajaram 277 mil pessoas e este ano, até Agosto, houve 177 mil passageiros. Contas feitas, circulam 128 passageiros por cada comboio Intercidades na Linha da Beira Baixa.
As novas automotoras têm capacidade para levar 192 pessoas, podendo ser aumentada facilmente se houver necessidade – basta acoplar mais carruagens. E a CP aproveita para esclarecer que não há comboios Intercidades, mas “um serviço Intercidades”, que se caracteriza não pelo tipo de material que circula, mas por fazer a “ligação diária entre as principais cidades do país”. Ou seja, o Intercidades não está “vinculado a um tipo específico” de comboio.
No entanto, o argumento não convence os utilizadores e os autarcas da Beira Baixa. A mudança do tipo de comboio já foi criticada na Assembleia Municipal da Covilhã, onde há pouco mais de um mês foi aprovada, por unanimidade, uma moção de contestação. Jorge Saraiva, deputado do PSD, entende que a troca de comboios “por automotoras do século passado” é uma medida “intolerável” e de “vistas curtas”, especialmente “numa altura em que vão ser introduzidas portagens na A23. Já a Associação dos Amigos da Linha da Beira Baixa acredita que a qualidade do serviço “vai piorar”, porque as automotoras foram construídas na década de 1970 para “trajectos urbanos curtos e nunca para viagens de longo curso”. A verdade é que a automotora só consegue chegar aos 120 km/h – velocidade inferior aos 160 km/h das locomotivas. A CP defende-se e explica que os limites máximos de velocidade na Linha da Beira Baixa oscilam entre os 90 km/h e os 120 km/h. Durante a viagem, o i confirmou que existem pelo menos 25 zonas na linha em que o comboio é obrigado a reduzir a velocidade para 50 km/h e mesmo 30 km/h. Fonte ligada à empresa explica que essas dezenas de abrandamentos só acontecem porque a REFER “não investe na linha”, que, com alguns melhoramentos, poderia permitir a circulação a velocidades superiores.
atrasos e queixas A hora prevista de chegada à Covilhã estava marcada para as 17h01, mas, entre abrandamentos e paragens em sinais vermelhos (o controlo da linha é feito a partir de Braço de Prata, em Lisboa), o comboio acabaria por se atrasar mais de 20 minutos. O atraso, garantiram alguns passageiros, “é coisa habitual”, porque os horários da CP não contemplam os abrandamentos do comboio. Contudo, a CP diz que as automotoras – que há 18 anos circulavam na Linha de Sintra – fazem o serviço “em tempos semelhantes” ao anterior equipamento – que também já costumava chegar atrasado 15 minutos à Covilhã.
“Mais valia mudarem os horários de uma vez por todas”, queixava-se Maria Helena, 82 anos, pouco antes da chegada ao Fundão. “Isto agora nem se compara no que diz respeito ao conforto, embora haja mais espaço”, admite. Mas a principal queixa desta passageira, que faz a viagem uma vez por mês, é “a falta de cortinados”. Ao lado, Fátima Valdez queixa-se do conforto dos bancos: “Tenho de começar a pensar em trazer uma almofada”, diz. André Barata, professor na Universidade da Covilhã, afirma que “o pior” é não haver carruagem-bar e defende que em tempo de crise a população deveria ser encorajada a viajar de transportes públicos. “Especialmente agora, com a introdução das portagens na A23”, argumenta. Telmo Gaspar é estudante na mesma universidade e recorda que se esperou “anos” pela electrificação, “mas afinal só foi concluída para substituírem o comboio por uma automotora, quando os passageiros esperavam uma melhoria substancial no serviço”, diz.
Depois de pouco mais de uma hora na Covilhã, o i voltou a entrar na mesma automotora e regressou a Lisboa, onde chegou com os habituais 15 minutos de atraso. Já a CP avisa que não volta atrás na decisão: “É uma solução definitiva”, garante a empresa.
in Jornal i, 16 de novembro de 2011.
quinta-feira, outubro 13, 2011
A CP É UMA ANEDOTA
A partir do próximo sábado, o serviço Intercidades (Covilhã-Lisboa) na Linha da Beira Baixa passa a ser assegurado por automotoras do século passado (construídas nos anos 70) e que a CP mandou “recauchutar”. A CP justifica a decisão com a necessidade de dar sustentabilidade económica à Linha da Beira Baixa, que, será a primeira do país a ter automotoras eléctricas a assegurar o Intercidades. A decisão apanhou de surpresa os autarcas, que receiam tratar-se de um retrocesso numa linha onde foram investidos milhões de euros nos últimos anos. A esses milhões há que juntar mais aqueles (CP não anunciou o valor do investimento) que foram investidos para “lavar a cara” das automotoras que passarão a circular na Linha da Beira Baixa. Questionada pelo JF, a CP diz que as automotoras oferecem “condições de conforto idênticas às das carruagens em circulação. Estas automotoras passam a disponibilizar condições de conforto adaptadas a viagens de longo curso, nomeadamente ao nível dos bancos, espaço disponível e colocação de tomadas para carregamento de equipamentos portáteis em 1.ª classe”. O novo modelo de exploração permitirá uma poupança superior a 1,5 milhões de euros por ano e surge apenas dois meses depois de concluída a electrificação da linha até à Covilhã, permitindo ganhar vinte minutos na viagem para Lisboa. A automotora atinge a velocidade máxima de120 Km /hora, bastante menos que as composições que garantem actualmente o serviço. A CP sublinha que a procura na Linha da Beira Baixa tem vindo a descer, desde a criação da A23, factor que favorece a anunciada mudança. As automotoras têm menor consumo energético e o facto de possuírem cabine de condução em ambas as extremidades permite reduzir os custos associados à manobra para inverter a locomotiva à partida e à chegada. As automotoras que vão garantir o serviço Intercidades têm capacidade para 186 passageiros, o que significa uma ligeira redução relativamente às composições que percorrem agora a distância entre Lisboa e a Covilhã, com uma lotação de 192 lugares. “Está assegurada a disponibilidade de lugares necessária para dar resposta à actual procura do Intercidades na linha da Beira Baixa”, sublinha a CP, assegurando que manterá o “número de ligações existentes de Intercidades e serviço regional, verificando-se apenas pequenos ajustamentos nos horários dos comboios”. Ajustamentos que podem significar 10 minutos a mais na duração da viagem, como acontecerá com o primeiro Intercidades do dia. Saía às 7 horas e 37 minutos da Covilhã e chegava a Santa Apolónia às 11 horas e 11minutos, passando a sair da Covilhã nove minutos mais cedo, às 7horas e 28 minutos e a chegar a Lisboa às 11horas e 12 minutos.
In Jornal do Fundão, 12/10/2011
Sinceramente não entendo as decisões que a administração da CP toma. Primeiro a linha foi electrificada e agora em vez de conseguir prestar um serviço melhor, recauchutou antigas automotoras, diminuiu o número máximo de passageiros a transportar e aumentou o tempo da viagem em 10 minutos. Depois apresentam-nos uma justificação de que com esta alteração poupam mais de 1,5 milhões de euros pelo facto de as automotoras não necessitarem de fazer a manobra da mudança da locomotiva. Será que a administração da CP pensa que por vivermos no interior somos pessoas que não pensam e que acreditamos nesta alegada poupança? Não conseguiria a CP poupar bem mais de 1,5 milhões de euros se acabasse com pelo menos alguns dos muitos gestores que tem? Não conseguiria poupar também alguns milhões se acabasse com as mordomias dos seus numerosos gestores? Esta administração da CP é uma anedota.
sábado, setembro 10, 2011
quinta-feira, agosto 25, 2011
LINHA DA BEIRA BAIXA COVILHÃ - GUARDA ABANDONADA APÓS OBRAS DE 7 MILHÕES DE EUROS
Começou por ser uma linha igual às outras, recebendo todo o tipo de comboios. Depois ficou só com mercadorias e uma velha automotora para passageiros. O troço entre Covilhã e Guarda foi-se degradando e houve obras, mas agora fala-se na possibilidade de acabar de vez com a circulação
OS COMBOIOS já circulavam há dois anos entre Lisboa e Covilhã quando, em 1893, ficou concluída a Linha da Beira Baixa, levando os passageiros mais 40 quilómetros para norte, até à Guarda. As duas “Beiras” ficavam, assim, ligadas pelos caminhos--de-ferro, numa altura em que as estradas eram raras e os automóveis ainda uma miragem.
Durante muitas décadas, a Linha da Beira Baixa (bem como a Linha da Beira Alta) foi um equipamento essencial no desenvolvimento da região e uma preciosa ajuda para as populações, que tinham no comboio uma ferramenta ideal para cumprir os seus sonhos. Fizeram-se milhares e milhares de negócios, muitas famílias colocaram as suas vidas sobre “carris”. E mesmo os que tiveram mais dificuldades, foi de comboio que partiram para outros países, na enorme vaga de emigração do séc. XX.
Quase 120 anos depois, a Linha da Beira Baixa está hoje muito diferente. Desde as primeiras locomotivas a carvão, muita coisa mudou até aos dias que correm. Até as poderosas máquinas a diesel foram agora ultrapassadas, pois ficou concluída há pouco tempo a electrificação da linha entre Lisboa e a Covilhã. Desde o final de Julho que os comboios são “puxados” por eficientes locomotivas eléctricas – Siemens 5600 (Intercidades) e UTE 2240 (Regionais).
À primeira vista, parece que há todos os motivos para se festejar, mas a verdade é que há uma parte da Linha da Beira Baixa que não pode entrar nessa euforia. Aliás, o cenário é bem negro para o troço entre a Covilhã e a Guarda, actualmente sem qualquer comboio a circular.
Jornal do Fundão online, 25/08/2011
Sinceramente não entendo! Decidam-se ou fecham a Linha de vez ou acabam as obras e os comboios começam a circular! As populações das localidades servidas pela Linha não podem viver nessa incerteza, mas se fecharem a Linha depois não se queixem de que não há alternativa ferroviária na ligação à Europa, se a Linha da Beira Alta ficar interrompida.
segunda-feira, agosto 01, 2011
CENTRO DE INTERPRETAÇÃO DO CASTELO DE PENAMACOR
sexta-feira, julho 22, 2011
QUANDO A GENTE ANDAVA AO «MENÉRIO»

Está patente no Centro Cultural Raiano, de 16 de Julho a 31 de Dezembro, a exposição “Quando a gente andava ao “menério” dedicada as memórias mineiras do concelho de Idanha-a-Nova, concretamente do caso de Segura, tendo partido da necessidade de mostrar, dar a ver, trazer para o espaço da partilha os universos das memórias das gerações que viveram com proximidade estes tempos conturbados do “menério”.
Está patente no Centro Cultural Raiano, de 16 de Julho a 31 de Dezembro, a exposição “Quando a gente andava ao “menério” dedicada as memórias mineiras do concelho de Idanha-a-Nova, concretamente do caso de Segura, tendo partido da necessidade de mostrar, dar a ver, trazer para o espaço da partilha os universos das memórias das gerações que viveram com proximidade estes tempos conturbados do “menério”.
A exploração mineira, nesta região, remonta ao período romano, prosseguiu no período medieval e nos séculos XIX e XX, tendo sido explorado estanho, volfrâmio, chumbo, zinco, ouro, bário e fósforo.
Em Segura, a exploração mineira passou pela importante Empresa Mineira de Segura, um grande número de concessões e oficinas de preparação e tratamento de minério. Com “Febre do volfrâmio” na 2ª guerra mundial, o aumento da procura e do preço do volfrâmio nos mercados internacionais fez despoletar um sem número de explorações informais, assim como uma panóplia de ilegalidades associadas, como contrabando, espionagem, falsificações, desvios, entre outras.
sexta-feira, junho 10, 2011
CAVACO SILVA - EXCELENTE ANÁLISE SOBRE O INTERIOR
Ao escolher Castelo Branco para palco destas celebrações do dia 10 de Junho, pretendo trazer o interior do País para o centro da agenda nacional, alertando para a questão das desigualdades territoriais do desenvolvimento e para os problemas da interioridade, do envelhecimento e do despovoamento de uma vasta parcela do nosso território.
Trata-se, como é sabido, de uma tendência estrutural, que não nasceu, sequer, nas últimas décadas.
As adversidades da Natureza, a que historicamente se associou o menosprezo dos poderes públicos pela realidade do interior, obrigaram gerações inteiras a deixar as suas terras, umas vezes rumo ao estrangeiro, outras concentrando-se nas grandes cidades do litoral, que cresceram de forma desmesurada e, mais ainda, desordenada.
Associados ao despovoamento, surgem não apenas problemas relacionados com o envelhecimento e com os fluxos migratórios, mas também problemas sociais e económicos, como a fragilização dos laços familiares, o desemprego e a delapidação da riqueza criada com muito trabalho e com muitos sacrifícios.
Portugal foi-se tornando um país desequilibrado, um território a duas velocidades do ponto de vista da distribuição da sua população, mas também no que toca à valorização dos seus activos e ao aproveitamento integral dos seus recursos.
O interior, que contém grandes potencialidades, nomeadamente na agricultura e no turismo, deixou de as aproveitar por uma razão muito simples: perdeu capital humano para o fazer.
As matas e os pinhais abandonados, que todos os anos servem de pasto aos incêndios estivais, são uma das provas mais visíveis desta realidade.
A instauração do regime democrático e a consolidação do poder autárquico deram um contributo essencial para limitar os efeitos mais negativos deste estado de coisas.
A adesão às Comunidades Europeias e uma gestão activa dos fundos comunitários permitiram corrigir alguns desequilíbrios, garantir acessibilidades e dotar o interior de infra-estruturas fundamentais.
No entanto, o fenómeno do despovoamento continua a agravar-se. As migrações internas da população fazem-se, agora, não apenas com destino às cidades do litoral, mas também rumo a cidades do próprio interior, que ganharam volume e dimensão.
Em muitas aldeias, permanecem apenas os mais idosos, tantas vezes deixados à solidão e ao esquecimento.
Muitos campos foram abandonados, perderam-se tradições e artes antigas, modos artesanais e autênticos de fazer as coisas, saberes e sabores do passado.
Em terras outrora povoadas de gente de todas as idades, não nascem crianças há vários anos.
Os que ficam, os que se mantêm ligados às suas origens, os que resistem à austeridade da terra, nem sempre dispõem das mesmas oportunidades dos que decidiram partir, não têm o mesmo acesso aos serviços públicos de saúde e de ensino, não possuem possibilidades de emprego idênticas às daqueles que optaram por outras paragens.
As assimetrias regionais são também assimetrias sociais, naquilo que implicam de desigualdade de oportunidades entre os cidadãos do nosso país.
Numa República que se proclama social e inclusiva, não podemos aceitar que os cidadãos sofram a desigualdade e a exclusão apenas porque vivem em lugares distintos do território.
A justiça social é, também, justiça territorial.
E, se o sentido de justiça e solidariedade não bastasse, seria importante lembrar que o desenvolvimento económico de qualquer país depende da preservação de padrões elementares de equidade. Ou seja, da promoção destes princípios de equilíbrio social e territorial depende a qualidade de vida dos habitantes do interior, mas dela também dependem as próprias perspectivas de bem-estar e de crescimento de Portugal no seu todo.
O êxodo do interior constitui um fenómeno legítimo e natural. É compreensível que os cidadãos busquem para si e para os seus filhos melhores condições de vida e, num país livre, ninguém pode ser forçado a viver onde quer que seja.
Trata-se, como referi, de um fenómeno estrutural, que não é de hoje, e que assumiu proporções difíceis de inverter. Será utópico supor que, por mero voluntarismo dos poderes públicos, conseguiremos um regresso em massa das populações ao interior do País. Temos de ser realistas, pois as ilusões pagam-se caro.
Com realismo, devemos ainda assim perceber que o progressivo despovoamento do interior, além de criar situações de injustiça, faz-nos perder potencialidades e activos que, sobretudo na actual situação do País, não podemos desperdiçar.
Redescobrir o valor do interior e do espaço rural é um imperativo de portugalidade, que devemos sublinhar neste dia, um dia de coesão e de unidade.
Hoje, 10 de Junho, não somos de facções nem de grupos. Neste dia, temos uma única característica, sermos Portugueses. Este é o dia de uma só pertença, a nossa, que é Portugal.
Devemos ter presente que o interior do País faz parte da nossa identidade colectiva enquanto nação soberana com uma História de muitos séculos.
Portugueses,
O despovoamento do interior configura-se, nos nossos dias, como um dos grandes problemas nacionais. Se percorrermos as páginas do fascinante livro «Portugal. O Sabor da Terra», escrito pelo historiador José Mattoso e pela geógrafa Suzanne Daveau, verificaremos que são amargas as expressões usadas para caracterizar a Beira interior. Falam de uma terra «adormecida», que se caracteriza pelo «isolamento».
São palavras duras, talvez excessivamente severas. Podemos reconhecer que a fisionomia geográfica desta região se mostra algo adversa para a fixação das populações e para o seu desenvolvimento.
Mas a presença humana, aqui, é um sinal de tenacidade e de força, qualidades que nem sempre foram devidamente acarinhadas pelos poderes públicos.
Está na hora de mudar de atitude, de desenvolver uma estratégia clara de revalorização do interior do País, incentivando e apoiando o espírito indomável daqueles que aqui vivem e trabalham.
Devemos, todavia, evitar dois caminhos.
Um, o mais tentador, consistiria em procurar replicar o litoral do país. Essa não é a opção correcta: o interior dispõe de uma identidade própria e é ela que lhe confere o seu carácter distintivo e original.
Assim, mais do que tentar ser uma réplica do litoral, o interior deve orgulhar-se dessa identidade, descobrir a sua vocação específica, aquela que resulta da interacção harmoniosa do Homem com o meio envolvente.
A geografia não se muda, valoriza-se. A interioridade impõe-se como uma condição de algum modo inapelável, em que os moradores destas terras devem aprender a viver e têm de saber desfrutar como marca diferenciadora do lugar que habitam.
Outra opção errada, e para mais irrealista, consistiria em julgar que é possível regressarmos a um passado que já passou.
Devemos preservar tradições e manter os vestígios da memória, salvaguardar o património material e imaterial que nos legaram. Mas é utópico pensar que o desenvolvimento de uma região e o bem-estar das suas populações podem assentar na nostalgia de um tempo que não irá retornar.
No interior, impõe-se tirar partido das potencialidades e das riquezas que só aqui existem.
O papel prioritário na valorização destes activos cabe às autarquias, às empresas e aos empreendedores locais. São eles, melhor do que ninguém, que conhecem os recursos existentes, as vantagens relativas de que dispõem e a realidade económica e social que os rodeia.
Esta responsabilidade dos agentes locais é particularmente acentuada na actual conjuntura, face ao aumento do desemprego e dos riscos de pobreza e de exclusão social.
As autarquias, consolidada que está a fase de construção de equipamentos e de infra-estruturas, são agora chamadas a desempenhar funções de valorização económica das suas regiões e dos seus recursos.
Os poderes autárquicos possuem, para mais, uma natural proximidade aos problemas e às necessidades reais das populações. A política de proximidade é a melhor chave para vencer o distanciamento da interioridade.
Os autarcas do interior, que saúdo nesta ocasião solene, são pois chamados a desempenhar um papel insubstituível.
Congratulo-me por saber que, na sua esmagadora maioria, os autarcas assumiram já que é no incentivo ao desenvolvimento económico sustentado e no apoio social aos mais carenciados que se deve situar, agora, a prioridade dos seus esforços.
O desafio do fortalecimento da capacidade produtiva do interior não é tarefa fácil.
Justifica-se um incentivo especial das políticas públicas a favor das empresas que aqui se fixam e criam riqueza.
Às autarquias cabe um papel fundamental no apoio às pequenas e médias empresas competitivas e no fomento das iniciativas inovadoras e do espírito empreendedor a nível local.
Há que dar uma especial atenção ao mundo rural. Ninguém pense que Portugal pode ser um país auto-suficiente do ponto de vista agro-alimentar. Aliás, nunca o foi ao longo da sua História.
No seio da União Europeia e no quadro de uma economia global, a ideia de auto-suficiência alimentar cria o risco de perdermos de vista o essencial: especializarmo-nos na produção de bens com valor de exportação, ou seja, de produtos que, pela sua especificidade, possam concorrer em mercados competitivos, em que os consumidores são de uma grande exigência no que se refere à qualidade e à diversidade da oferta.
Temos, pois, que produzir mais e melhor, mas sobretudo que produzir diferente, tirando partido das condições favoráveis do nosso clima.
Devemos apostar naquilo que nos diferencia face à produção dos nossos parceiros.
Portugal importa hoje cerca de 6 mil milhões de euros de bens agrícolas para consumo, sendo que as nossas exportações chegam apenas aos 3 mil milhões de euros.
Um défice alimentar destas dimensões não tem razão de ser num país como o nosso. Esta situação não pode continuar. Temos de desenvolver um programa de repovoamento agrário do interior, criando oportunidades de sucesso para jovens agricultores.
No contexto de uma economia rural integrada, a floresta desempenha um papel essencial como fonte de desenvolvimento local. Dispomos, neste domínio, de enormes potencialidades, que devemos saber explorar melhor, de forma mais sistemática e ordenada através de uma gestão sustentável dos recursos florestais.
Portugueses,
O interior encontra-se ligado ao resto do país por um conjunto de acessibilidades que, de um modo geral, é suficiente. As noções de periferia e de distância têm vindo a perder sentido num território que possui uma dimensão relativamente reduzida, com menos de duzentos quilómetros a separar o litoral do interior.
É possível fazer das cidades do interior de média dimensão pólos de desenvolvimento regional. Para o efeito, as cidades médias terão de actuar em rede, fazer trabalho em comum, ao invés de se fecharem sobre si próprias e cultivarem rivalidades ancestrais.
A interacção das cidades médias, que deve contar com a cooperação do poder central, terá de orientar-se num movimento de duplo sentido.
Na vertical, explorando o eixo que corre ao longo da fronteira e que beneficia da sua proximidade com o país vizinho. Sendo que, numa perspectiva horizontal, as cidades médias podem facilmente projectar-se no litoral e aí colocar a sua oferta, seja para o mercado interno, seja rumo às exportações.
Importa, no entanto, não repetir erros cometidos noutras parcelas do País. O interior tem de ser um espaço em que a tradição, a Natureza e a presença humana convivam de forma harmoniosa e equilibrada.
Deste modo, as cidades médias podem afirmar-se como espaços de qualidade de vida, dotados de infra-estruturas e com uma proximidade ao meio natural que não existe noutras zonas do território.
A par disso, há que fomentar a criação de redes de apoio ao turismo de qualidade, merecendo realce iniciativas como as Aldeias Históricas e as Aldeias do Xisto.
A promoção das condições naturais, do património histórico-cultural, da gastronomia ou dos produtos tradicionais constituem elementos-chave para dinamizar novas formas de turismo, que procuram, em cada região, aquilo que esta tem de específico para oferecer.
O facto de o interior do País não ter sido afectado pela vaga do turismo de massas e pela urbanização desordenada constitui um activo que autarcas e empresários têm de saber aproveitar.
A principal potencialidade do interior está, no entanto, no espírito que caracteriza as suas populações, as gentes desta terra. A garra indomável e a força de vontade dos Portugueses do interior devem servir de exemplo inspirador para todos nós. A sua frugalidade e o seu espírito de sacrifício são modelos que devemos seguir num tempo em que a fibra e a determinação dos Portugueses estão a ser postas à prova. Não podemos falhar. Os custos seriam incalculáveis. Assumimos compromissos perante o exterior e honramo-nos de não faltar à palavra dada.
É dessa fibra que é feito o nosso orgulho.
Não nos deixámos vencer pela geografia. Pelo contrário, soubemos usá-la em nosso proveito, transformando aquilo que à partida era uma desvantagem – o facto de estarmos num extremo da Europa – numa vantagem que nos abriu as portas do Atlântico. Numa página admirável, Mestre Orlando Ribeiro escreveu:
«Na posição do território está contido um destino: isolado na periferia do mundo antigo, numa nesga de chão em grande parte bravio e ingrato, coube ao Português o papel de pioneiro do mundo moderno. Não se limitou porém a indicar um caminho: afoitando-se por ele, deixou marcas da sua presença inscritas na terra de quatro continentes».
Assim termina Orlando Ribeiro o seu livro «Portugal, o Mediterrâneo e o Atlântico». Soubemos, na verdade, tornar a periferia num caminho de futuro.
Aqui, em Castelo Branco, poderemos buscar no exemplo dos Portugueses do interior a inspiração de que precisamos para, uma vez mais, fazer das fraquezas forças e transformar as adversidades em oportunidades.
Entre a aridez das pedras e a verdura dos pinhais, o interior do País pode ser uma metáfora de Portugal inteiro.
É Portugal inteiro que tem de se erguer nesta hora decisiva. Um tempo de sacrifícios, de grandes responsabilidades.
Não podemos falhar.
É nestas alturas que se vê a alma de um povo.
Castelo Branco, 10 de Junho de 2011
Aníbal Cavaco Silva
quarta-feira, maio 25, 2011
100 ANOS DOS PUPILOS DO EXÉRCITO

Já lá vão quase 35 anos que entrei naquela «casa tão bela e tão ridente». Continuo a recordar esse dia do mês de Outubro com muita saudade, assim como muitos outros que aí passei, mas acima de tudo nunca esqueço a força do seu lema «Querer é Poder» e mantenho os nobres valores que aí aprendi, como a camaradagem, a lealdade, o sentido do dever e o respeito pela pátria.
É esta a minha pequena homenagem ao Pilão, a minha escola de sempre, na passagem do seu primeiro centenário.
terça-feira, maio 24, 2011
ASSINEM A PETIÇÃO CONTRA A CAÇA AO MELRO

domingo, maio 08, 2011
ROTA PEDONAL DO RIO TEJO ENTRE A FRONTEIRA E A FOZ
Os municípios ribeirinhos do rio Tejo foram hoje desafiados pela Administração da Região Hidrográfica do Tejo (ARHT) a criar uma grande rota pedonal entre a fronteira de Espanha e a foz, em Lisboa.
A ARH do Tejo defendeu hoje a integração global das rotas ribeirinhas em “caminhos de pé posto”, o mais próximos possível das margens do Tejo, e segundo as regras e simbologia internacionais.
Em declarações, à margem da primeira sessão pública de debate sobre o projecto - “O Tejo a pé, naturalmente” -, que hoje se realizou no centro náutico de Constância, a vice-presidente da ARH-Tejo disse que a ideia é fazer uma “linha contínua” com as várias rotas existentes e com os vários pontos que ainda não têm um roteiro”, para criar um “corredor uno, um trajecto completo”.
Simone Pio disse ainda que este projecto tem o propósito de “dar a conhecer e aproximar as pessoas num corredor entre a foz do rio, em Lisboa, e a fronteira” com Espanha, permitindo que as populações “se aproximem, redescubram e valorizem” o seu património, como um “corpo integrado”.
O projecto “Tejo a Pé” visa “fomentar e potenciar” o turismo ambiental e o acesso educativo aos espaços naturais e ao património, constituindo-se como “um produto ecoturístico em que os actores fundamentais serão as populações” locais, disse.
Lançar o debate em torno desta ideia foi o mote da sessão de debate “Tejo a Pé”, no âmbito da qual foram hoje debatidas estratégias de promoção ambiental e turística e apresentados casos de sucesso, a nível nacional e ibérico, que “comprovam a pertinência e viabilidade do projecto em causa”, nomeadamente em termos turísticos, económicos e culturais.
segunda-feira, abril 18, 2011
RIBEIRA DA MEIMOA - PEROVISEU

segunda-feira, abril 04, 2011
terça-feira, março 15, 2011
PORTAGENS NA A23 - AÍ VÊM ELAS...
sexta-feira, março 04, 2011
INTERCIDADES EM RISCO ATÉ À COVILHÃ

Numa missiva assinada por António Pinto Pires, membro do “6 de Setembro”, este diz que as perspectivas que se esperam para a Linha da Beira Baixa “não são boas” segundo algumas notícias que Grupo tem conseguido apurar. “De acordo com informações recolhidas de fonte segura junto de elementos da CP constitui intenção desta empresa proceder à eliminação do serviço dos comboios Intercidades, pelo menos até à Covilhã, tal como sucedeu recentemente na linha do Alentejo até Beja” avisa Pinto Pires, que explica que com a entrada em funcionameno do serviço de tração eléctrica para Maio do presente ano, “prevê a CP colocar em funcionamento as actuais UTE Unidades Triplas Eléctricas, criando assim um serviço inter-regional terminando com os actuais comboios de máquinas e carruagens até à Covilhã.” Os Amigos da Linha da Beira Baixa referem, contudo, que a entrada em serviço das referidas UTE´s “não consitutui uma mais-valia para o conforto de passageiros uma vez que este tipo de material foi concebido para percursos sub-urbanos, que não devam exceder uma hora, e não para longo curso.” E denunciam que a CP “disponibiliza este material recentemente remodelado para o serviço suburbano porque o tem em excesso, devido a um erro de planificação aquando da sua remodelação uma vez que algumas das unidades daquele parque motor poderiam ter sido adaptadas ao serviço de longo curso.”
O “6 de Setembro” lembra que o serviço Covilhã-Lisboa tem características de longo curso e o material referido “não dispõe das características de conforto para uma viagem de maior duração, não obstante a CP estar a introduzir está prática em algumas linhas, em situações ocasionais, no nosso entender incorrecto.” Um serviço de passageiros longo curso exige, dizem, conforto, “como aliás sucedeu recentemente na linha do Douro em que a mesma foi dotada de automotoras adequadas, apesar de adquiridas em segunda mão a Espanha, com assentos personalizados e o mínimo de condições para o serviço exigido.” O Grupo admite que haja reajustamentos nos serviços prestados e que as referidas automotoras possam na verdade ser adstritas a serviços inter-regionais, “mas longo curso e substituição dos Intercidades constitui a negação do valor e importância que assume uma linha como a da Beira Baixa.”
Apesar de tudo, o “6 de Setembro” admite que não sejam necessários os actuais três comboios realizados em cada sentido e que “um deles possa na verdade ser repensado, mas a integral eliminação dos inter-cidades, constitui um erro irreparável. Tal atitude não deixa de constituir uma contradição após tantos investimentos na "modernização" da linha ao mesmo tempo que se colocam preocupações e interrogações no que se refere às ligações Covilhã - Guarda.”
Pinto Pires diz que já referiu diversas vezes que é fundamental “revitalizar integralmente este troço para que a Covilhã seja transformada num pólo gerador de tráfego tanto para Norte com para Sul. Não faz qualquer sentido este divórcio entre linha da Beira Alta e Beira Baixa. A exploração ferroviária por parte da CP / Refer deviam prever num curto prazo esta questão pelo respeito e dignidade que as localidades de Belmonte, Covilhã Fundão e Castelo Branco exigem.” E diz que estas medidas, a serem tomadas, serão “uma enorme afronta aos interesses das nossas populações.”
Na passada semana, durante a greve da CP, houve cancelamento de comboios Intercidades para alguns destinos, entre os quais a Guarda e a Covilhã. Segundo alguns jornais, a electrificação total da Linha da Beira Baixa estará concluída no Verão.A confirmar-se esta notícia, após milhares de euros gastos na renovação da linha da Beira Baixa, só resta ironicamente dizer: Porreiro pá!
segunda-feira, fevereiro 21, 2011
sexta-feira, fevereiro 18, 2011

quarta-feira, fevereiro 09, 2011
OLEIROS - O MILAGRE DA HORTA DA SANTA
A invasão francesa, o modo como os oleirenses souberam lidar com a situação e a devoção que os oleirenses têm para com Santa Margarida acabam por estar interligados. "A imagem que hoje se encontra na Igreja Matriz é aquela que se encontrava neste local em 1811", começa por explicar o Cónego Martinho Cardoso. O pároco de Oleiros lembra que "essa invasão terá passado precisamente neste local, na Horta da Santa. Antes deles chegarem a este local, todo o povo que aqui vivia dispersou-se pelas serras entre a Amieira e Cambas, levando consigo aquilo que tinham".
segunda-feira, janeiro 31, 2011
1 DE FEVEREIRO DE 1811 - OS FRANCESES SÃO VIOLENTAMENTE ATACADOS NA SERRA DA MAUNÇA
«Sede servido referir a S. Exa. o Comandante em Chefe, que ontem uma coluna do inimigo debaixo do comando do General Foy, consistindo em 3 mil cavalos e infantes, de Ciudad Rodrigo passou pela estrada nova, para se unir a Massena. Pernoitou aos 31 em Alcaria, junto ao Fundão. No primeiro deste mês tomei posto em um outeiro junto a esta aldeia, por onde o inimigo devia passar, tendo comigo oitenta ordenanças de Alpedrinha; fez-se-lhe um em dirigido fogo por duas horas, e terminou somente com a noite: o resultado foi, dezoito mortos na estrada, grande número de feridos e dez prisioneiros; vários dos feridos acharam-se mortos esta manhã, pela extrema inclemência do tempo: também se tomaram diversos carros de trigo, e considerável número de bois. Tendo mandado partidas para picar a frente e a rectaguarda do inimigo, tenho razão para pensar que ele deve ter sofrido consideravelmente antes de deixar a estrada nova; nós só perdemos somente um homem, com poucos cavalos feridos, entre eles o meu».
4 de Fevereiro de 1811
segunda-feira, janeiro 03, 2011
COVILHÃ - PONTE PEDONAL DA CARPINTEIRA ELEITA COMO UM DOS 7 DESTINOS DESIGN MAIS INTERESSANTES

Segundo a edição online da publicação norte-americana, dedicada ao turismo e lazer e referente a janeiro de 2011, a ponte "é uma das mais impressionantes" de entre "as novas pontes pedonais de grande altura" construídas em diferentes pontos do globo.
A obra da autoria do arquiteto Carrilho da Graça, inaugurada em 2009, tem 52 metros de altura (o equivalente a um edifício de 17 andares), 220 metros de extensão, 4,40 metros de largura e uma estrutura de aço para betão armado com 250 toneladas.
A estrutura liga o Bairro dos Penedos Altos ao centro da cidade, reduzindo o percurso que obrigava a contornar as encostas do vale da Carpinteira.
Carrilho da Graça acredita que o enquadramento da ponte, num vale recortado "com a Serra da Estrela em cima e a Cova da Beira em baixo", contribuiu para a distinção, referiu hoje à agência Lusa.
O trabalho em parceria com o engenheiro Adão da Fonseca "foi um desafio interessante: não é fácil fazer experiências em edifícios e aqui conseguimos levar a estrutura até ao limite", acrescentou.
A ponte sobre a Ribeira da Carpinteira está ainda nomeada para o prémio Mies van der Rohe (em memória do arquiteto alemão com o mesmo nome) - assim como a intervenção de Carrilho da Graça no Castelo de São Jorge, em Lisboa.
"Esta não é a primeira vez que a ponte é reconhecida por publicações internacionais, que só provam que tínhamos razão quando decidimos construi-la", referiu Carlos Pinto, presidente da Câmara da Covilhã.
"É a consagração de uma obra, não só pela sua utilidade, mas também pela forma e enquadramento", destacou.
Para Carlos Pinto, a ponte é cada vez mais "um dos ícones da Covilhã e será um elemento fundamental na identidade da cidade".
A travessia custou cerca de três milhões de euros e faz parte do plano de mobilidade da cidade, iniciado há sete anos e que pretende cortar os vales e aplanar as encostas que caracterizam a cidade com outras obras como elevadores e funiculares.
Carlos Pinto espera concluir todos os projetos do plano de mobilidade até final do mandato.
Os restante seis destinos mais interessantes do mundo ao nível de design, segundo a edição de janeiro de 2011 da Travel & Leisure, são estruturas construídas na Nova Zelândia, Alemanha, Polónia, China, Áustria e Qatar.
A Travel + Leisure é publicada 12 vezes por ano pela empresa editorial da American Express, que lhe atribui uma audiência média 4,8 milhões de leitores.
Foto: mafiadacova.blogspot.com