sexta-feira, janeiro 09, 2009

10% DE DESEMPREGO NA BEIRA INTERIOR EM 2009

A taxa de desemprego na Beira Interior poderá facilmente ultrapassar os 10 por cento em 2009. O alerta surge por parte do coordenador do Observatório de Desenvolvimento Económico e Social (ODES) da região, Pires Manso. “As perspectivas para 2009 não são animadoras e julgo que na região vamos ter uma crise social com alguma importância”, refere Pires Manso, defendendo que o Governo deve “legislar no sentido de que empresas e associações criem programas de apoio aos mais necessitados”. “Já temos taxas de desemprego superiores à média nacional e vamos continuar a ter taxas agravadas. Facilmente ultrapassaremos os dois dígitos, senão mais”, sublinha o professor catedrático e coordenador do observatório instalado na Universidade da Beira Interior, na Covilhã. “É de prever que a crise internacional agrave os problemas das empresas, nomeadamente dos principais empregadores na região: o sector têxtil, em especial as confecções” na Cova da Beira, “e as empresas de cablagens para automóveis”, na Guarda e Castelo Branco. O crescimento do desemprego terá como consequência “o aumento de problemas sociais”, nomeadamente, “mais situações de fome e pequena criminalidade”. Pires Manso defende por isso, em declarações à Lusa, que o Estado crie linhas de apoio financeiro para empresas, organizações e entidades locais sem fins lucrativos, “para poderem prestar ajuda social onde o Estado não consegue chegar”. “O governo vai ter que legislar no sentido de criar estímulos que possam levar as empresas e associações sem fins lucrativos a organizar programas de apoio aos mais necessitados, para combater a pobreza e flagelos sociais previsíveis”. Pires Manso sugere ainda incentivos à concessão de micro-crédito e outras medidas, como a entrega de parcelas de terreno para produção própria de produtos agrícolas. No entanto, para aquele responsável, só haverá melhorias estruturais se o Estado canalizar grandes iniciativas empresariais para o Interior do País, “tal como aconteceu com a Autoeuropa, quando foi preciso responder à crise social e económica no distrito de Setúbal”. Ao nível fiscal, “vou ao ponto de achar que seria bem-vinda isenção total de IRC para empresas que se instalassem no Interior durante um período de cinco anos”, conclui. O Observatório para o Desenvolvimento Económico e Social (ODES) surgiu em 2002, após uma série de reuniões entre parceiros económicos da região, no âmbito do programa de apoio comunitário EQUAL. Desde então tem feito recolha e tratamento de indicadores económicos e sociais que dizem respeito à região e ao País.
In Notícias da Covilhã, 09/01/2009

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