domingo, julho 11, 2021

Exposição "50 Anos, 50 Imagens"

A exposição "50 Anos, 50 Imagens" foi inaugurada no dia 30 de maio, durante o encontro que assinalou os 50 anos desde o início dos trabalhos sobre o Paleolítico na região e reuniu alguns dos principais protagonistas da chamada “Geração do Tejo”, nome atribuído aos arqueólogos e estudantes que, a partir de finais de 1971, graças às campanhas de salvamento arqueológico, garantiram a catalogação e preservação da arte rupestre do vale do Tejo, antes da sua submersão devido à construção da barragem do Fratel, e contribuíram para identificação de vários sítios arqueológicos datados do Paleolítico, que documentam a presença do homem de Neandertal na região.

As fotografias que agora se apresentam ao público na Casa de Artes e Cultura do Tejo pertencem ao espólio de Luís Raposo, membro desta “Geração do Tejo”, antigo diretor do Museu Nacional de Arqueologia e atual vice-presidente da Associação dos Arqueólogos Portugueses e presidente da Aliança Regional Europeia do Conselho Internacional dos Museus.

Nelas é possível constatar o entusiasmo e empenho com que este grupo de jovens arqueólogos abraçou a tarefa de identificação e salvaguarda deste património tão relevante para o concelho de Vila Velha de Ródão e que se revelaria uma autêntica escola de campo determinante para o sedimentar das suas vocações, já que muitos deles viriam a tornar-se nomes destacados da arqueologia portuguesa nas décadas seguintes.

Patente até 30 de setembro na Casa de Artes e Cultura do Tejo, de segunda a sexta-feira das 9h00 às 12h30 e das 14h00 às 17h30.

 

Catálogo da Exposição "50 Anos, 50 Imagens" (pdf)

sábado, março 20, 2021

Castelo Branco assinala 250 anos de elevação a cidade

 A Câmara vai assinalar os 250 anos da elevação de Castelo Branco a cidade, com o lançamento de uma medalha comemorativa da efeméride e um conjunto de iniciativas ao longo de todo o ano.

"Trata-se de assinalar uma data histórica, emblemática e marcante na vida de uma cidade. Castelo Branco é capital de distrito há muitos anos. Esta data devia de ser comemorada de uma forma diferente. Não o é, face ao contexto de pandemia que vivemos", afirmou o presidente do município, José Augusto Alves.

O autarca falava durante uma conferência de imprensa, nos Paços do Concelho, para apresentação do programa comemorativo da elevação de Castelo Branco a cidade, data que se assinala no sábado.

"Estamos melhor nos números [em termos da covid-19], mas devemos manter este nível de cuidado e, quiçá, colocar os números da infeção a zeros. A situação é esta e tivemos que nos readaptar", sublinhou o presidente do município de Castelo Branco.

Neste âmbito, vai decorrer uma Assembleia Municipal extraordinária para assinalar o Dia da Cidade, durante a qual terá lugar o ato oficial das comemorações, com intervenções dos líderes partidários com assento naquele órgão e dos presidentes da Assembleia e da Câmara municipais de Castelo Branco.

Após a sessão solene, no Cineteatro Avenida, com um número reduzido de convidados, serão homenageados 12 personalidades e entidades albicastrenses com a medalha de ouro da cidade.

A estes homenageados, juntam-se mais quatro personalidades que vão receber a medalha de ouro referente aos 249 anos da cidade, pois, devido à pandemia da covid-19, em março de 2020, não foi realizada a respetiva sessão comemorativa, nem distinguidas estas personalidades que se destacaram na vida de Castelo Branco.

"Além da homenagem a várias entidades e personalidades, vai ser apresentada a medalha comemorativa dos 250 anos e um livro também comemorativo da efeméride. Vai ainda ser apresentado um vídeo sobre Castelo Branco – o que foi, o que é e o que se projeta para o futuro", adiantou José Augusto Alves.

Todo o programa vai ser divulgado através das redes sociais.

O autarca destacou ainda que ao longo de todo o ano de 2021, o município vai realizar eventos culturais, desportivos e de lazer, ligados às comemorações dos 250 anos de elevação de Castelo Branco a cidade.

O bordado de Castelo Branco terá uma atenção especial neste período, designadamente através da sua divulgação junto das escolas locais, "para sensibilizar os mais novos para a sua importância e para o perpetuar".

"O que se pretende, apesar das circunstâncias, é colocar Castelo Branco como uma grande cidade de futuro, com visão e que se projete no tempo. Castelo Branco faz 250 anos, mas quem está de parabéns são todas as gerações que a fizeram, no passado, no presente e para o futuro", concluiu José Augusto Alves.

In «Diário Digital Castelo Branco», 2021-03-16

quinta-feira, fevereiro 18, 2021

Memórias do tornado de 1954 em Castelo Branco

Há 60 anos bastaram poucos segundos para virar parte da cidade do avesso. O tornado de 6 de novembro de 1954 é uma memória ainda presente.Morreram cinco pessoas. 
Vídeo jornal Reconquista.

domingo, janeiro 24, 2021

DESTRUIÇÃO DE MINA DE OURO ROMANA NO FRATEL

A Associação de Estudos do Alto Tejo (AEAT), ao visitar o local da informação que lhe chegou em meados de Janeiro de 2021, confirmou a destruição total do sítio arqueológico de superfície, através de surriba destinada a mais uma plantação de eucaliptos. 

A investigação da AEAT, com conhecimento da expansão da florestação do sítio arqueológico da Cova da Moura, na freguesia de Fratel, concelho de Vila Velha de Ródão,  constata que o porte arbóreo indica um plantio executado há cerca de dois ou três anos.

Segundo a informação enviada ao Diário Digital Castelo Branco pela Associação, esta área de elevada importância arqueológica, única do género naquela freguesia, consta no atual PDM de Vila Velha de Ródão, tal como já constava no anterior, com o nº 40, e está protegida pelo inventário pela Direção Geral do Património Cultural, com o Código Nacional de Sítio nº 2335. A sua inscrição em importantes documentos de ordenamento do território e de gestão patrimonial fazia pressupor que este sítio arqueológico beneficiaria de alguma proteção, o que não se verificou, tal como em muitos outros casos. Como bem arqueológico foi identificada na segunda metade dos anos 70, por elementos da Associação de Estudos do Alto Tejo. O etnólogo Paulo Caratão Soromenho, com raízes em Fratel, no seu artigo Lendário Rodanense (1965) já identifica este sítio como “mina explorada no tempo dos romanos”, sendo conhecida pela comunidade local.

Parte da área tinha sido eucaliptada, nos anos 80, em parcelas próximas da mina. Até este atentado, restavam, intocadas por revolvimentos de solo e subsolo, uma das suas entradas, em forma de poço, o escorial resultante da trituração do quartzo, no qual nascia vegetação, e, em cotas inferiores, parcelas com elevado potencial arqueológico para escavação e caracterização da referida mina. No espaço não afetado e na sua envolvente foram recolhidas bases de pilões para trituração de minério, em quartzito, cerâmica de tipologia diversa, de que destacamos tégula de cronologia Alto Imperial (romana) e um fragmento de uma taça em terra sigillata hispânica.

A AEAT declara que os responsáveis por este crime patrimonial devem ser identificados e responsabilizados criminalmente. A Associação considera inadmissível não proceder ao arranque da plantação em área a determinar pela Direção Regional de Cultura do Centro, não inferior a 1000 m2, e a execução de escavação integral da área arqueológica mais relevante como última tentativa de recuperar informação que permita caracterizar este sítio, antes que continuem desmandos com afetações em profundidade. "Não o fazer será dar um sinal de que o ato não foi grave e que não teve consequências. Infelizmente, temos de constatar que os instrumento de política de ordenamento do território e de política cultural são ineficazes para proteger o património arqueológico, como reiteradamente se tem verificado, se não existirem medidas de gestão ativas", afirma a AEAT.

A Associação refere ainda que este tipo de crime, de destruição do património arqueológico, tem sido comum no concelho de Vila Velha de Ródão, como em tantos outros, associado quase sempre a projetos agrícolas e florestais. "Além dos proprietários são igualmente responsáveis as entidades públicas que não providenciam os meios e instrumentos adequados à salvaguarda deste património não renovável em sede de licenciamento de atividades económicas", conclui a denúncia da AEAT. 

                                                                    In Diário Digital Castelo Branco, 22 de Janeiro de 2021



sábado, janeiro 23, 2021

215 ANOS DO FORAL DE IDANHA-A-NOVA

Em 23 de Janeiro de 1206, D. Sancho I entregava à Ordem do Templo, através da concessão de um foral, a vila de Idanha-a-Nova, com todos os seus limites e direitos e confirmava-lhes ainda a posse de Idanha-a-Velha.
A doação deste foral tinha por objectivo reforçar o povoamento da região e por consequência a defesa da fronteira, uma vez que esta região situava-se na fronteira com o Reino de Leão e com os territórios muçulmanos do Al-Andalus.

segunda-feira, agosto 03, 2020

SELO REPRESENTANDO UMA MOEDA - TRIDENTE DE OURO - ENCONTRADA EM IDANHA-A-VELHA

Mais uma vez os CTT emitiram em 22 de Abril um selo relativo ao distrito de Castelo Branco, desta vez trata-se de uma moeda datada de 710-711- Tridente de Ouro - encontrada em Idanha-a-Velha, inserida na emissão-base «Numismática Portuguesa», 1º grupo, selos auto-adesivos.

sábado, julho 11, 2020

Serra da Estrela confirmada como Geopark Mundial da UNESCO

 Wikiloc | Foto de Portugal. Serra da Estrela. Unhais da Serra ...
“Este é o reconhecimento internacional que esta montanha tanto merecia e que coloca a Estrela num patamar de relevância global”. Em Portugal, a Estrela junta-se assim a geoparks nos Açores, Arouca, Naturtejo e Terras de Cavaleiros.
 O Geopark Estrela foi reconhecido esta sexta-feira como Geopark Mundial pelo Conselho Executivo da UNESCO, Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura. “Um marco histórico”, considera a câmara da Guarda, enquanto a Associação Geopark Estrela assinala que a distinção eleva a serra ao patamar global.

A candidatura da Serra da Estrela a Geopark Mundial da UNESCO foi entregue em Novembro de 2017, foi aprovada pelo Conselho Mundial de Geoparks em setembro de 2019 e foi ratificada por aquele organismo numa reunião do Conselho Executivo.

A UNESCO refere numa nota publicada no seu site que aprovou a designação de 15 novos Geoparques Globais na Europa, Ásia e América Latina, o que eleva a Rede Global de Geoparques “para 161 em 44 países”.
 Para além do Geopark Estrela, a UNESCO também designou os Geoparks Cliffs of Fundi e Discovery (Canadá), Xiangxi e Zhangye (China), Lauhanvuori-Hämeenkangas (Finlândia), Toba Caldera (Indonésia), Rio Coco (Nicarágua), Hantangang (República da Coreia), Yangan-Tau (Rússia), Djerdap (Sérvia), Granada e Maestrazgo (Espanha), The Black Country (Reino Unido), Dak Nong (Vietname) e Kula-Salihli (Turquia).

Jornal Público online, 11/07/2020

sábado, junho 27, 2020

SELOS DEDICADOS A NOSSA SENHORA DO ALMURTÃO

Os CTT pela segunda vez dedicaram um selo a Nossa Senhora do Almurtão, padroeira de Idanha-a-Nova, desta vez na emissão Festas e Romarias, com o valor facial de 0,53 cts. Anteriormente em 2013, na emissão Festas Tradicionais, um selo com o valor facial de 1,70 euros tinha retratado a romaria de Nossa Senhora do Almurtão. Com este novo selo, Nossa Senhora do Almurtão, torna-se uma das santas com mais selos dedicados na filatelia portuguesa.



quinta-feira, junho 25, 2020

Beira Interior perdeu 32 mil habitantes em oito anos

 Erada. Como uma freguesia da Beira Interior combate o Covid 19 ...
A tendência vem de há muito e continua a agravar-se como se de uma fatalidade se tratasse. A Beira Interior prossegue o caminho da perda continuada de habitantes, fenómeno que só boas políticas públicas poderão estancar.
Em apenas oito anos, e segundo dados do Instituto Nacional de Estatística, a Beira Interior perdeu 32.490 dos seus residentes. No ano de 2011, tinha 353.480 habitantes e, em 2019, contava 320.990. Uma razia certamente agravada pelas políticas de austeridade impostas pela Troika, já que parte dos anos em análise coincide com a crise em que Portugal esteve mergulhado e que obrigou muitos portugueses a procurar melhores condições de vida noutros países.
Todos os concelhos desta faixa interior perderam população naquele período, como, de resto, já estavam a perder há muitos anos. E a sangria dificilmente será estancada sem medidas radicais para conter o êxodo para os centros urbanos.
Vila de Rei foi o concelho da região que menos habitantes perdeu, entre 2011 e 2019, passando de 3.470 para 3.323 (um queda de “apenas” 147 pessoas).
Toda a região continua a perder habitantes e nalguns casos, como o da Covilhã, a perda populacional atingiu 4.409 pessoas em oito anos, passando de 51.196 habitantes, em 2011, para os 46.787 em 2019. O concelho foi, aliás, dos que mais população perdeu entre os principais centros urbanos desta região.
In, Jornal do Fundão, 25/06/2020

sexta-feira, maio 08, 2020

MUSEUS CENTENÁRIOS - SELO MUSEU FRANCISCO TAVARES PROENÇA JÚNIOR

Mais uma vez os CTT emitiram em 21 de Março um selo relativo ao distrito de Castelo Branco, desta vez na emissão «Museus Centenários», relembrando o centenário do Museu Francisco Tavares Proença Júnior, fundado em 1910.


quarta-feira, março 25, 2020

sábado, outubro 19, 2019

CALÇADA ROMANA DE ALCONGOSTA EM PERIGO

 
 No passado Sábado constatámos infelizmente que as operações de corte das árvores queimadas em curso na zona envolvente da calçada romana de Alcongosta estão a levar a que se faça circulação de maquinaria pesada sobre esta via, contribuindo para acelerar a sua degradação de forma drástica.
Esta situação já foi comunicada à Câmara Municipal do Fundão assim como à Junta de Freguesia de Alcongosta e Agência de Desenvolvimento Gardunha 21 de forma a que sejam tomadas medidas de salvaguarda solicitando ao mesmo tempo para que se avance para a há muito necessária interdição de circulação de veículos motorizados sobre a calçada.
Trata-se de um elemento patrimonial de grande importância da nossa Serra, tanto em termos históricos como simbólicos, já que se trata de uma ponte entre Norte e Sul utilizada há cerca de 2.000 anos. Associados a esta calçada estão outros elementos patrimoniais como as lagariças escavadas na rocha e, recordamos, foi aqui que em 2018 descobrimos um altar romano.

sexta-feira, julho 26, 2019

A LENDA DO GARGANA

De entre todas as lendas que se contam ao redor da Serra da Gardunha, há uma que se destaca pelos seus contornos tenebrosos. Trata-se da lenda do “Gargana” e tem como palco o Convento de Santo António (ou de Nossa Senhora do Seixo) junto ao Fundão.
Reza a história que o Gargana era um serviçal que vivia junto ao convento e que dava guarida a quem viajava pela serra e por ali chegava em busca de abrigo quando os monges já tinham fechado os portões com o cair da noite.
Da sua casa, vigiava atentamente a rua procurando ver ou ouvir os infelizes e tanto lhes abria a porta como, se necessário, caso o cansaço já não lhes permitisse sequer dar mais alguns passos, ele próprio os ia buscar, carregando-os para dentro de casa. Inclusive, se os lobos vinham e perseguição dos viajantes cansados e se faziam ouvir uivando na noite, o Gargana saía de imediato de sua casa soprando numa “buzina” repetidas vezes, fazendo ecoar o seu som pelos vales. Este som e o ladrar dos cães que se manifestavam alarmados eram suficientes para demover as alcateias mais ousadas.
Esta actividade caridosa durava havia já vários anos e merecia os maiores elogios de todos os que o conheciam, especialmente dos monges, que viam no piedoso anfitrião a personificação das melhores virtudes da caridade e altruísmo.
Contudo, a realidade era bem diferente e, uma vez fechada a porta nas suas costas, o destino dos hóspedes estava traçado. O Gargana alimentava-os e dava-lhes cama, esperando em seguida que o cansaço levasse a melhor e que adormecessem. Abeirava-se então deles, com uma mão tapava-lhes a boca e, com a outra, empunhava a faca que trazia consigo, cravando-a no coração das vítimas que partiam num último suspiro de terror. Escondia depois os corpos numa cisterna que tinha na cave e apropriava-se avidamente dos pertences das vítimas, afinal o móbil dos crimes.
No dia seguinte, lá entrava o Gargana em postura de reverência na igreja do convento para assistir à primeira missa e comungar como o bom fiel que todos julgavam ser.
Isto continuou durante muitos anos até que, um dia, o Gargana não apareceu na missa, deixando alarmados os monges. Estes foram à sua procura, encontrando-o morto com expressão de grande sofrimento e rodeado de muitas moedas de ouro e prata sujas de sangue. Em vão os religiosos tentaram apanhar as moedas, mas estas simplesmente se desvaneciam para não serem tocadas. Interpretando o prodígio como um sinal divino da efemeridade das riquezas mundanas e um sinal da humildade em que o seu irmão vivera, decidiram que este deveria ser enterrado no claustro do convento, junto dos mais virtuosos irmãos defuntos. Assim fizeram e aos poucos a vida no convento regressou ao normal.
Ora, numa certa noite tempestuosa de Inverno, o barulho do vento não foi suficiente para abafar o som de três fortes pancadas no portão da cerca do convento. Acordados, os religiosos foram ver quem lhes batia à porta e depararam-se com três anjos, envoltos numa aura de luz intensa, que pediram para ser conduzidos à campa do Gargana. Chegados ali, abriram o túmulo e erguendo o morto bateram-lhe nas costas para o fazer cuspir todas as hóstias que comera em vida.
Com um estrondo que fez estremecer o claustro, o Gargana foi novamente deixado no seu túmulo e os anjos desapareceram, dando outra vez lugar à noite. Terminava assim a história negra deste falso fiel cujo nome “Gargana” significa ladrão na gíria popular de alguns recantos da Cova da Beira.

David Caetano, Jornal do Fundão
03/07/2019 

domingo, fevereiro 24, 2019

Gravuras rupestres descobertas na Serra da Gardunha

 
Um conjunto de rochas com gravuras rupestres foi descoberto na Serra da Gardunha, Fundão, e a primeira análise indica que serão do período entre o Calcolítico e a Idade do Bronze, disse esta quinta-feira à agência Lusa o arqueólogo Martinho Batista, antigo diretor do Parque Arqueológico do Vale do Côa.
Das imagens que visualizei, concluo claramente que são motivos pré-históricos. Uma dessas rochas tem arte rupestre do tipo esquemático simbólico, ou seja, são círculos concêntricos, aquilo que nós chamamos de ‘arte atlântica'”, disse Martinho Batista
António Martinho Batista ainda não esteve no local (prevê fazê-lo em março ou abril), mas as imagens que um habitante do Fundão lhe fez chegar na sequência desta descoberta não lhe suscitam dúvidas quanto ao facto de que as gravuras em causa são “pré-história recente” e que merecem um estudo mais aprofundado. “Merecem ser estudadas, valorizadas e defendidas”, afirmou.
António Martinho Batista acredita que estas gravuras estarão “entre o Calcolítico e a Idade do Bronze, pelo que poderão ter entre três a quatro mil anos”.
O Jornal do Fundão revela na edição desta quinta-feira que as gravuras foram descobertas recentemente por um sapador florestal da Pinus Verde, Francisco Martins, que efetuava trabalhos de desmatação nas proximidades da Casa do Guarda, em Alcongosta, concelho do Fundão, distrito de Castelo Branco.
A singularidade dos desenhos chamou a atenção de Francisco Martins, que partilhou a descoberta com dois fundanenses que têm interesse nesta área — Diamantino Gonçalves e David Caetano — e que foram ao local e documentaram o achado fotograficamente, tendo pedido depois uma análise ao arqueólogo António Martinho Batista.
Contactado pela Lusa, Diamantino Gonçalves sublinha ainda que este achado é muito importante e que poderá ser apenas a primeira de outras descobertas, uma vez que estas gravuras raramente estão isoladas.

 In Jornal Observador