Mostrar mensagens com a etiqueta natureza. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta natureza. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, abril 14, 2023

LINCE IBÉRICO EM ALCAINS

 Há cerca de dois anos soubemos que o lince-ibérico tinha regressado a Castelo Branco. Este único animal na região voltou a ver visto este Março e confirma-se que continua no distrito. Veja aqui as imagens captadas por uma câmara de foto-armadilhagem instalada pelo Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF).

Chama-se Maguilla a fêmea de lince-ibérico (Lynx pardinus) que se instalou em Castelo Branco há mais de dois anos e que chegou a estar desaparecida de 2017 a 2021.

Agora foi detectada novamente em actividade nocturna em Alcains, no concelho de Castelo Branco, no âmbito das acções de acompanhamento dos exemplares de lince-ibérico em território nacional.

Segundo o ICNF, as imagens datam de 25 de Março e foram recolhidas por uma câmara de armadilhagem fotográfica do instituto instalada num ponto estratégico, pré-definido em articulação entre técnicos e vigilantes da Natureza das Direções Regionais da Conservação da Natureza e Florestas do Alentejo e do Centro, para efetuar o seguimento deste exemplar, que já tinha sido anteriormente avistado e fotografado.

Maguilla é uma fêmea de lince-ibérico que nasceu no Centro Nacional de Reprodução do Lince-ibérico (CNRLI) em Silves, em 2015, e que foi libertada em Matachel, na Extremadura, em Espanha, em 2016.

Não se sabia do seu paradeiro desde 2017, por ter perdido o colar de seguimento com radiotransmissor. Maguilla encontra-se sozinha nesta zona pelo menos desde 2019, ano em que foi detetada com registos fotográficos suficientemente detalhados, que permitiram a sua identificação.

Em Maio de 2022, Samuel Infante, coordenador do CERAS – Centro de Estudos e Recuperação de Animais Selvagens e ligado à Quercus, revelou à Wilder que tinha sido detectado um lince em Castelo Branco, depois de 30 anos praticamente sem sinais na região. Através de fotografias de um lince captadas na zona de Castelo Branco, as autoridades identificaram então a presença de uma fêmea que estava dada como desaparecida: Maguilla.

Agora, Maguilla foi detectada por uma câmara de vídeo do ICNF.

“Tudo leva a crer que esta fêmea deverá ter estabelecido um território na zona de Alcains, no qual existirá alimento suficiente e habitat adequado”, segundo um comunicado do ICNF enviado hoje à Wilder.

“Sendo uma área pequena, a zona em causa possui uma densidade elevada de coelho-bravo, presa preferencial do lince-ibérico. Apresenta também formações graníticas que podem ser usadas como refúgio ou abrigo.”

Ainda assim, os especialistas que no ICNF trabalham há décadas na recuperação do lince-ibérico em Portugal não acalentam muitas esperanças que este território em concreto venha, no curto prazo, a ter condições de acolher uma subpopulação viável.

In https://www.wilder.pt/historias/novas-imagens-de-video-captam-lince-que-vive-em-castelo-branco/

quarta-feira, julho 21, 2021

Lobo ibérico regressa a Castelo Branco ao fim de várias décadas


O lobo ibérico, espécie dada como extinta no distrito de Castelo Branco "há várias décadas", voltou a ser avistado na região.

Segundo Samuel Infante, da associação ambientalista Quercus, a última presença do lobo ibérico no distrito de Castelo Branco remonta a outubro de 2004, quando foi encontrado um jovem macho, morto por envenenamento, no concelho de Idanha-a-Nova.

A extinção desta espécie na região ficou a dever-se, sobretudo, "à caça, envenenamentos e redução do seu habitat", contou à agência Lusa. "A novidade sobre a presença do lobo ibérico no distrito de Castelo Branco surgiu em dezembro de 2020, quando um elemento ligado à Quercus avistou um animal. A partir daí, tem sido registada e acompanhada a presença do lobo", refere.

Samuel Infante sublinha que o ressurgimento da espécie pode estar relacionado com a baixa densidade demográfica, a desertificação do mundo rural e o consequente regresso à região de espécies como o corço, o veado e o javali, presas naturais do lobo.

"Desde a descoberta, a espécie tem estado a ser monitorizada pela Quercus que tem recorrido à fotoarmadilhagem e à recolha de indícios para análise genética. Estamos a tentar perceber se este regresso à região são indivíduos provenientes das populações a sul do Douro ou são oriundos de Espanha", adiantou.

O ambientalista refere que a Quercus avisou desde a primeira hora, o Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), o Grupo Lobo, o Serviço de Proteção da Natureza e do Ambiente (SEPNA) da GNR e o 'Life WolFlux' sobre o ressurgimento do lobo ibérico na região.

Adiantou ainda que é preciso acabar com alguns mitos sobre esta espécie, nomeadamente, no que diz respeito aos ataques a rebanhos. "Mais de 805 dos ataques a rebanhos são provocados por cães selvagens e não por lobos. Além disso, se houver algum ataque, os proprietários devem reportá-lo de imediato às autoridades porque caso seja provado que foi o lobo, o Estado indemniza o proprietário", frisou.

Samuel Infante realça também a importância deste predador no controlo de espécies como o javali e o veado que na região "enfrentam problemas muito graves de tuberculose".

O lobo ibérico junta-se a outras espécies que regressaram à região, como o abutre-preto, a águia-imperial, o grifo, o corço ou o esquilo.

In Jornal de Notícias, 20/07/2021