quinta-feira, outubro 13, 2011

A CP É UMA ANEDOTA

A partir do próximo sábado, o serviço Intercidades (Covilhã-Lisboa) na Linha da Beira Baixa passa a ser assegurado por automotoras do século passado (construídas nos anos 70) e que a CP mandou “recauchutar”. A CP justifica a decisão com a necessidade de dar sustentabilidade económica à Linha da Beira Baixa, que, será a primeira do país a ter automotoras eléctricas a assegurar o Intercidades. A decisão apanhou de surpresa os autarcas, que receiam tratar-se de um retrocesso numa linha onde foram investidos milhões de euros nos últimos anos. A esses milhões há que juntar mais aqueles (CP não anunciou o valor do investimento) que foram investidos para “lavar a cara” das automotoras que passarão a circular na Linha da Beira Baixa. Questionada pelo JF, a CP diz que as automotoras oferecem “condições de conforto idênticas às das carruagens em circulação. Estas automotoras passam a disponibilizar condições de conforto adaptadas a viagens de longo curso, nomeadamente ao nível dos bancos, espaço disponível e colocação de tomadas para carregamento de equipamentos portáteis em 1.ª classe”. O novo modelo de exploração permitirá uma poupança superior a 1,5 milhões de euros por ano e surge apenas dois meses depois de concluída a electrificação da linha até à Covilhã, permitindo ganhar vinte minutos na viagem para Lisboa. A automotora atinge a velocidade máxima de120 Km /hora, bastante menos que as composições que garantem actualmente o serviço. A CP sublinha que a procura na Linha da Beira Baixa tem vindo a descer, desde a criação da A23, factor que favorece a anunciada mudança. As automotoras têm menor consumo energético e o facto de possuírem cabine de condução em ambas as extremidades permite reduzir os custos associados à manobra para inverter a locomotiva à partida e à chegada. As automotoras que vão garantir o serviço Intercidades têm capacidade para 186 passageiros, o que significa uma ligeira redução relativamente às composições que percorrem agora a distância entre Lisboa e a Covilhã, com uma lotação de 192 lugares. “Está assegurada a disponibilidade de lugares necessária para dar resposta à actual procura do Intercidades na linha da Beira Baixa”, sublinha a CP, assegurando que manterá o “número de ligações existentes de Intercidades e serviço regional, verificando-se apenas pequenos ajustamentos nos horários dos comboios”. Ajustamentos que podem significar 10 minutos a mais na duração da viagem, como acontecerá com o primeiro Intercidades do dia. Saía às 7 horas e 37 minutos da Covilhã e chegava a Santa Apolónia às 11 horas e 11minutos, passando a sair da Covilhã nove minutos mais cedo, às 7horas e 28 minutos e a chegar a Lisboa às 11horas e 12 minutos.

In Jornal do Fundão, 12/10/2011

Sinceramente não entendo as decisões que a administração da CP toma. Primeiro a linha foi electrificada e agora em vez de conseguir prestar um serviço melhor, recauchutou antigas automotoras, diminuiu o número máximo de passageiros a transportar e aumentou o tempo da viagem em 10 minutos. Depois apresentam-nos uma justificação de que com esta alteração poupam mais de 1,5 milhões de euros pelo facto de as automotoras não necessitarem de fazer a manobra da mudança da locomotiva. Será que a administração da CP pensa que por vivermos no interior somos pessoas que não pensam e que acreditamos nesta alegada poupança? Não conseguiria a CP poupar bem mais de 1,5 milhões de euros se acabasse com pelo menos alguns dos muitos gestores que tem? Não conseguiria poupar também alguns milhões se acabasse com as mordomias dos seus numerosos gestores? Esta administração da CP é uma anedota.

sábado, setembro 10, 2011

quinta-feira, agosto 25, 2011

LINHA DA BEIRA BAIXA COVILHÃ - GUARDA ABANDONADA APÓS OBRAS DE 7 MILHÕES DE EUROS

Começou por ser uma linha igual às outras, recebendo todo o tipo de comboios. Depois ficou só com mercadorias e uma velha automotora para passageiros. O troço entre Covilhã e Guarda foi-se degradando e houve obras, mas agora fala-se na possibilidade de acabar de vez com a circulação

OS COMBOIOS já circulavam há dois anos entre Lisboa e Covilhã quando, em 1893, ficou concluída a Linha da Beira Baixa, levando os passageiros mais 40 quilómetros para norte, até à Guarda. As duas “Beiras” ficavam, assim, ligadas pelos caminhos--de-ferro, numa altura em que as estradas eram raras e os automóveis ainda uma miragem.

Durante muitas décadas, a Linha da Beira Baixa (bem como a Linha da Beira Alta) foi um equipamento essencial no desenvolvimento da região e uma preciosa ajuda para as populações, que tinham no comboio uma ferramenta ideal para cumprir os seus sonhos. Fizeram-se milhares e milhares de negócios, muitas famílias colocaram as suas vidas sobre “carris”. E mesmo os que tiveram mais dificuldades, foi de comboio que partiram para outros países, na enorme vaga de emigração do séc. XX.

Quase 120 anos depois, a Linha da Beira Baixa está hoje muito diferente. Desde as primeiras locomotivas a carvão, muita coisa mudou até aos dias que correm. Até as poderosas máquinas a diesel foram agora ultrapassadas, pois ficou concluída há pouco tempo a electrificação da linha entre Lisboa e a Covilhã. Desde o final de Julho que os comboios são “puxados” por eficientes locomotivas eléctricas – Siemens 5600 (Intercidades) e UTE 2240 (Regionais).

À primeira vista, parece que há todos os motivos para se festejar, mas a verdade é que há uma parte da Linha da Beira Baixa que não pode entrar nessa euforia. Aliás, o cenário é bem negro para o troço entre a Covilhã e a Guarda, actualmente sem qualquer comboio a circular.

Jornal do Fundão online, 25/08/2011

Sinceramente não entendo! Decidam-se ou fecham a Linha de vez ou acabam as obras e os comboios começam a circular! As populações das localidades servidas pela Linha não podem viver nessa incerteza, mas se fecharem a Linha depois não se queixem de que não há alternativa ferroviária na ligação à Europa, se a Linha da Beira Alta ficar interrompida.

segunda-feira, agosto 01, 2011

CENTRO DE INTERPRETAÇÃO DO CASTELO DE PENAMACOR

O Castelo de Penamacor, entendido como toda a área amuralhada do antigo burgo medieval, continua a exercer sobre o visitante a atracção e o fascínio que emanam dos lugares históricos, seja por simples curiosidade, seja pela sensação aventurosa e romântica de um imaginado regresso ao passado que inspiram. A Torre de Menagem, singular monumento que impressiona pela sua extraordinária robustez, tornou-se de há muito na imagem que todo o visitante retém da vila. É, incontestavelmente, o símbolo de Penamacor.
Ciente disso, a Câmara Municipal procedeu recentemente à beneficiação do seu interior, por forma a criar motivos adicionais de interesse ao visitante, procedendo a alguns apontamentos museográficos, baseados nos materiais levantados nas campanhas arqueológicas que decorreram nos últimos anos, bem como à implantação, no eirado, de um miradouro apoiado em painéis de leitura do horizonte e luneta telescópica. Na prática, estamos perante um centro de interpretação do antigo castelo, onde não falta uma maquete da vila medieval, tal como ainda se apresentava no século XVI.
Durante o mês de Agosto, a torre pode ser visitada gratuita e diariamente, às 11:00 e às 15:00h, independentemente do número de visitantes. Grupos de 5 ou mais pessoas podem solicitar visitas extraordinárias, devendo para isso dirigirem-se ao posto de informação turística, sito na rua se Santa Maria, 19, ao Cimo de Vila. A breve trecho, perspectiva-se um esquema de visitação pago e com guia.

Texto CMPenamacor

sexta-feira, julho 22, 2011

QUANDO A GENTE ANDAVA AO «MENÉRIO»

Está patente no Centro Cultural Raiano, de 16 de Julho a 31 de Dezembro, a exposição “Quando a gente andava ao “menério” dedicada as memórias mineiras do concelho de Idanha-a-Nova, concretamente do caso de Segura, tendo partido da necessidade de mostrar, dar a ver, trazer para o espaço da partilha os universos das memórias das gerações que viveram com proximidade estes tempos conturbados do “menério”.

Está patente no Centro Cultural Raiano, de 16 de Julho a 31 de Dezembro, a exposição “Quando a gente andava ao “menério” dedicada as memórias mineiras do concelho de Idanha-a-Nova, concretamente do caso de Segura, tendo partido da necessidade de mostrar, dar a ver, trazer para o espaço da partilha os universos das memórias das gerações que viveram com proximidade estes tempos conturbados do “menério”.

A exploração mineira, nesta região, remonta ao período romano, prosseguiu no período medieval e nos séculos XIX e XX, tendo sido explorado estanho, volfrâmio, chumbo, zinco, ouro, bário e fósforo.

Em Segura, a exploração mineira passou pela importante Empresa Mineira de Segura, um grande número de concessões e oficinas de preparação e tratamento de minério. Com “Febre do volfrâmio” na 2ª guerra mundial, o aumento da procura e do preço do volfrâmio nos mercados internacionais fez despoletar um sem número de explorações informais, assim como uma panóplia de ilegalidades associadas, como contrabando, espionagem, falsificações, desvios, entre outras.


Texto e imagem retirados do sítio cm-idanhanova.pt

sexta-feira, junho 10, 2011

CAVACO SILVA - EXCELENTE ANÁLISE SOBRE O INTERIOR

Foi excelente o discurso que o Presidente da República proferiu na sessão solene do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas em Castelo Branco, analisa os problemas e aponta caminhos para a sua resolução e acima de tudo reafirma a capacidade de resistência das gentes do interior. Aqui fica a reprodução desse excelente discurso.

Ao escolher Castelo Branco para palco destas celebrações do dia 10 de Junho, pretendo trazer o interior do País para o centro da agenda nacional, alertando para a questão das desigualdades territoriais do desenvolvimento e para os problemas da interioridade, do envelhecimento e do despovoamento de uma vasta parcela do nosso território.

Trata-se, como é sabido, de uma tendência estrutural, que não nasceu, sequer, nas últimas décadas.

As adversidades da Natureza, a que historicamente se associou o menosprezo dos poderes públicos pela realidade do interior, obrigaram gerações inteiras a deixar as suas terras, umas vezes rumo ao estrangeiro, outras concentrando-se nas grandes cidades do litoral, que cresceram de forma desmesurada e, mais ainda, desordenada.

Associados ao despovoamento, surgem não apenas problemas relacionados com o envelhecimento e com os fluxos migratórios, mas também problemas sociais e económicos, como a fragilização dos laços familiares, o desemprego e a delapidação da riqueza criada com muito trabalho e com muitos sacrifícios.

Portugal foi-se tornando um país desequilibrado, um território a duas velocidades do ponto de vista da distribuição da sua população, mas também no que toca à valorização dos seus activos e ao aproveitamento integral dos seus recursos.

O interior, que contém grandes potencialidades, nomeadamente na agricultura e no turismo, deixou de as aproveitar por uma razão muito simples: perdeu capital humano para o fazer.

As matas e os pinhais abandonados, que todos os anos servem de pasto aos incêndios estivais, são uma das provas mais visíveis desta realidade.

A instauração do regime democrático e a consolidação do poder autárquico deram um contributo essencial para limitar os efeitos mais negativos deste estado de coisas.

A adesão às Comunidades Europeias e uma gestão activa dos fundos comunitários permitiram corrigir alguns desequilíbrios, garantir acessibilidades e dotar o interior de infra-estruturas fundamentais.

No entanto, o fenómeno do despovoamento continua a agravar-se. As migrações internas da população fazem-se, agora, não apenas com destino às cidades do litoral, mas também rumo a cidades do próprio interior, que ganharam volume e dimensão.

Em muitas aldeias, permanecem apenas os mais idosos, tantas vezes deixados à solidão e ao esquecimento.

Muitos campos foram abandonados, perderam-se tradições e artes antigas, modos artesanais e autênticos de fazer as coisas, saberes e sabores do passado.

Em terras outrora povoadas de gente de todas as idades, não nascem crianças há vários anos.

Os que ficam, os que se mantêm ligados às suas origens, os que resistem à austeridade da terra, nem sempre dispõem das mesmas oportunidades dos que decidiram partir, não têm o mesmo acesso aos serviços públicos de saúde e de ensino, não possuem possibilidades de emprego idênticas às daqueles que optaram por outras paragens.

As assimetrias regionais são também assimetrias sociais, naquilo que implicam de desigualdade de oportunidades entre os cidadãos do nosso país.

Numa República que se proclama social e inclusiva, não podemos aceitar que os cidadãos sofram a desigualdade e a exclusão apenas porque vivem em lugares distintos do território.

A justiça social é, também, justiça territorial.

E, se o sentido de justiça e solidariedade não bastasse, seria importante lembrar que o desenvolvimento económico de qualquer país depende da preservação de padrões elementares de equidade. Ou seja, da promoção destes princípios de equilíbrio social e territorial depende a qualidade de vida dos habitantes do interior, mas dela também dependem as próprias perspectivas de bem-estar e de crescimento de Portugal no seu todo.

O êxodo do interior constitui um fenómeno legítimo e natural. É compreensível que os cidadãos busquem para si e para os seus filhos melhores condições de vida e, num país livre, ninguém pode ser forçado a viver onde quer que seja.

Trata-se, como referi, de um fenómeno estrutural, que não é de hoje, e que assumiu proporções difíceis de inverter. Será utópico supor que, por mero voluntarismo dos poderes públicos, conseguiremos um regresso em massa das populações ao interior do País. Temos de ser realistas, pois as ilusões pagam-se caro.

Com realismo, devemos ainda assim perceber que o progressivo despovoamento do interior, além de criar situações de injustiça, faz-nos perder potencialidades e activos que, sobretudo na actual situação do País, não podemos desperdiçar.

Redescobrir o valor do interior e do espaço rural é um imperativo de portugalidade, que devemos sublinhar neste dia, um dia de coesão e de unidade.

Hoje, 10 de Junho, não somos de facções nem de grupos. Neste dia, temos uma única característica, sermos Portugueses. Este é o dia de uma só pertença, a nossa, que é Portugal.

Devemos ter presente que o interior do País faz parte da nossa identidade colectiva enquanto nação soberana com uma História de muitos séculos.


Portugueses,

O despovoamento do interior configura-se, nos nossos dias, como um dos grandes problemas nacionais. Se percorrermos as páginas do fascinante livro «Portugal. O Sabor da Terra», escrito pelo historiador José Mattoso e pela geógrafa Suzanne Daveau, verificaremos que são amargas as expressões usadas para caracterizar a Beira interior. Falam de uma terra «adormecida», que se caracteriza pelo «isolamento».

São palavras duras, talvez excessivamente severas. Podemos reconhecer que a fisionomia geográfica desta região se mostra algo adversa para a fixação das populações e para o seu desenvolvimento.

Mas a presença humana, aqui, é um sinal de tenacidade e de força, qualidades que nem sempre foram devidamente acarinhadas pelos poderes públicos.

Está na hora de mudar de atitude, de desenvolver uma estratégia clara de revalorização do interior do País, incentivando e apoiando o espírito indomável daqueles que aqui vivem e trabalham.

Devemos, todavia, evitar dois caminhos.

Um, o mais tentador, consistiria em procurar replicar o litoral do país. Essa não é a opção correcta: o interior dispõe de uma identidade própria e é ela que lhe confere o seu carácter distintivo e original.

Assim, mais do que tentar ser uma réplica do litoral, o interior deve orgulhar-se dessa identidade, descobrir a sua vocação específica, aquela que resulta da interacção harmoniosa do Homem com o meio envolvente.

A geografia não se muda, valoriza-se. A interioridade impõe-se como uma condição de algum modo inapelável, em que os moradores destas terras devem aprender a viver e têm de saber desfrutar como marca diferenciadora do lugar que habitam.

Outra opção errada, e para mais irrealista, consistiria em julgar que é possível regressarmos a um passado que já passou.

Devemos preservar tradições e manter os vestígios da memória, salvaguardar o património material e imaterial que nos legaram. Mas é utópico pensar que o desenvolvimento de uma região e o bem-estar das suas populações podem assentar na nostalgia de um tempo que não irá retornar.

No interior, impõe-se tirar partido das potencialidades e das riquezas que só aqui existem.

O papel prioritário na valorização destes activos cabe às autarquias, às empresas e aos empreendedores locais. São eles, melhor do que ninguém, que conhecem os recursos existentes, as vantagens relativas de que dispõem e a realidade económica e social que os rodeia.

Esta responsabilidade dos agentes locais é particularmente acentuada na actual conjuntura, face ao aumento do desemprego e dos riscos de pobreza e de exclusão social.

As autarquias, consolidada que está a fase de construção de equipamentos e de infra-estruturas, são agora chamadas a desempenhar funções de valorização económica das suas regiões e dos seus recursos.

Os poderes autárquicos possuem, para mais, uma natural proximidade aos problemas e às necessidades reais das populações. A política de proximidade é a melhor chave para vencer o distanciamento da interioridade.

Os autarcas do interior, que saúdo nesta ocasião solene, são pois chamados a desempenhar um papel insubstituível.

Congratulo-me por saber que, na sua esmagadora maioria, os autarcas assumiram já que é no incentivo ao desenvolvimento económico sustentado e no apoio social aos mais carenciados que se deve situar, agora, a prioridade dos seus esforços.

O desafio do fortalecimento da capacidade produtiva do interior não é tarefa fácil.

Justifica-se um incentivo especial das políticas públicas a favor das empresas que aqui se fixam e criam riqueza.

Às autarquias cabe um papel fundamental no apoio às pequenas e médias empresas competitivas e no fomento das iniciativas inovadoras e do espírito empreendedor a nível local.

Há que dar uma especial atenção ao mundo rural. Ninguém pense que Portugal pode ser um país auto-suficiente do ponto de vista agro-alimentar. Aliás, nunca o foi ao longo da sua História.

No seio da União Europeia e no quadro de uma economia global, a ideia de auto-suficiência alimentar cria o risco de perdermos de vista o essencial: especializarmo-nos na produção de bens com valor de exportação, ou seja, de produtos que, pela sua especificidade, possam concorrer em mercados competitivos, em que os consumidores são de uma grande exigência no que se refere à qualidade e à diversidade da oferta.

Temos, pois, que produzir mais e melhor, mas sobretudo que produzir diferente, tirando partido das condições favoráveis do nosso clima.

Devemos apostar naquilo que nos diferencia face à produção dos nossos parceiros.

Portugal importa hoje cerca de 6 mil milhões de euros de bens agrícolas para consumo, sendo que as nossas exportações chegam apenas aos 3 mil milhões de euros.

Um défice alimentar destas dimensões não tem razão de ser num país como o nosso. Esta situação não pode continuar. Temos de desenvolver um programa de repovoamento agrário do interior, criando oportunidades de sucesso para jovens agricultores.

No contexto de uma economia rural integrada, a floresta desempenha um papel essencial como fonte de desenvolvimento local. Dispomos, neste domínio, de enormes potencialidades, que devemos saber explorar melhor, de forma mais sistemática e ordenada através de uma gestão sustentável dos recursos florestais.


Portugueses,

O interior encontra-se ligado ao resto do país por um conjunto de acessibilidades que, de um modo geral, é suficiente. As noções de periferia e de distância têm vindo a perder sentido num território que possui uma dimensão relativamente reduzida, com menos de duzentos quilómetros a separar o litoral do interior.

É possível fazer das cidades do interior de média dimensão pólos de desenvolvimento regional. Para o efeito, as cidades médias terão de actuar em rede, fazer trabalho em comum, ao invés de se fecharem sobre si próprias e cultivarem rivalidades ancestrais.

A interacção das cidades médias, que deve contar com a cooperação do poder central, terá de orientar-se num movimento de duplo sentido.

Na vertical, explorando o eixo que corre ao longo da fronteira e que beneficia da sua proximidade com o país vizinho. Sendo que, numa perspectiva horizontal, as cidades médias podem facilmente projectar-se no litoral e aí colocar a sua oferta, seja para o mercado interno, seja rumo às exportações.

Importa, no entanto, não repetir erros cometidos noutras parcelas do País. O interior tem de ser um espaço em que a tradição, a Natureza e a presença humana convivam de forma harmoniosa e equilibrada.

Deste modo, as cidades médias podem afirmar-se como espaços de qualidade de vida, dotados de infra-estruturas e com uma proximidade ao meio natural que não existe noutras zonas do território.

A par disso, há que fomentar a criação de redes de apoio ao turismo de qualidade, merecendo realce iniciativas como as Aldeias Históricas e as Aldeias do Xisto.

A promoção das condições naturais, do património histórico-cultural, da gastronomia ou dos produtos tradicionais constituem elementos-chave para dinamizar novas formas de turismo, que procuram, em cada região, aquilo que esta tem de específico para oferecer.

O facto de o interior do País não ter sido afectado pela vaga do turismo de massas e pela urbanização desordenada constitui um activo que autarcas e empresários têm de saber aproveitar.

A principal potencialidade do interior está, no entanto, no espírito que caracteriza as suas populações, as gentes desta terra. A garra indomável e a força de vontade dos Portugueses do interior devem servir de exemplo inspirador para todos nós. A sua frugalidade e o seu espírito de sacrifício são modelos que devemos seguir num tempo em que a fibra e a determinação dos Portugueses estão a ser postas à prova. Não podemos falhar. Os custos seriam incalculáveis. Assumimos compromissos perante o exterior e honramo-nos de não faltar à palavra dada.

É dessa fibra que é feito o nosso orgulho.

Não nos deixámos vencer pela geografia. Pelo contrário, soubemos usá-la em nosso proveito, transformando aquilo que à partida era uma desvantagem – o facto de estarmos num extremo da Europa – numa vantagem que nos abriu as portas do Atlântico. Numa página admirável, Mestre Orlando Ribeiro escreveu:

«Na posição do território está contido um destino: isolado na periferia do mundo antigo, numa nesga de chão em grande parte bravio e ingrato, coube ao Português o papel de pioneiro do mundo moderno. Não se limitou porém a indicar um caminho: afoitando-se por ele, deixou marcas da sua presença inscritas na terra de quatro continentes».

Assim termina Orlando Ribeiro o seu livro «Portugal, o Mediterrâneo e o Atlântico». Soubemos, na verdade, tornar a periferia num caminho de futuro.

Aqui, em Castelo Branco, poderemos buscar no exemplo dos Portugueses do interior a inspiração de que precisamos para, uma vez mais, fazer das fraquezas forças e transformar as adversidades em oportunidades.

Entre a aridez das pedras e a verdura dos pinhais, o interior do País pode ser uma metáfora de Portugal inteiro.

É Portugal inteiro que tem de se erguer nesta hora decisiva. Um tempo de sacrifícios, de grandes responsabilidades.

Não podemos falhar.

É nestas alturas que se vê a alma de um povo.

Castelo Branco, 10 de Junho de 2011

Aníbal Cavaco Silva

quarta-feira, maio 25, 2011

100 ANOS DOS PUPILOS DO EXÉRCITO


«Uma sociedade só pode progredir quando os seus membros possuam uma desenvolvida educação e uma instrução essencialmente prática. (...) É necessário criar homens que pelo seu trabalho e esforço próprios se mantenham na vida com (...) dignidade; é preciso formar cidadãos úteis à Pátria”. Estas frases cujo sentido se mantém bastante actual constam do preâmbulo do diploma de 25 de Maio de 1911 que criou o então designado Instituto Profissional dos Pupilos do Exército de Terra e Mar, a partir da ideia do General Correia Barreto, Ministro da Guerra.
Já lá vão quase 35 anos que entrei naquela «casa tão bela e tão ridente». Continuo a recordar esse dia do mês de Outubro com muita saudade, assim como muitos outros que aí passei, mas acima de tudo nunca esqueço a força do seu lema «Querer é Poder» e mantenho os nobres valores que aí aprendi, como a camaradagem, a lealdade, o sentido do dever e o respeito pela pátria.
É esta a minha pequena homenagem ao Pilão, a minha escola de sempre, na passagem do seu primeiro centenário.

terça-feira, maio 24, 2011

ASSINEM A PETIÇÃO CONTRA A CAÇA AO MELRO

Uma portaria publicada no dia 7 de Abril permite que cada caçador possa caçar 40 melros por dia. Sim, leu bem. Esta portaria que veio permitir a caça desta ave emblemática, conseguiu pelo absurdo que é unir caçadores e ambientalistas contra ela, porque para uns o melro não tem valor gastronómico e para outros é estranho a inclusão desta ave no calendário cinegético pois ainda estão por apurar os dados estatísticos sobre os melros.
Para tentar impedir que a caça aos melros se inicie na época de Novembro a Fevereiro, começou já a circular na internet uma petição contra esta absurda portaria. Assinem esta petição e vamos parar a caça ao melro.

domingo, maio 08, 2011

ROTA PEDONAL DO RIO TEJO ENTRE A FRONTEIRA E A FOZ

Os municípios ribeirinhos do rio Tejo foram hoje desafiados pela Administração da Região Hidrográfica do Tejo (ARHT) a criar uma grande rota pedonal entre a fronteira de Espanha e a foz, em Lisboa.

A ARH do Tejo defendeu hoje a integração global das rotas ribeirinhas em “caminhos de pé posto”, o mais próximos possível das margens do Tejo, e segundo as regras e simbologia internacionais.

Em declarações, à margem da primeira sessão pública de debate sobre o projecto - “O Tejo a pé, naturalmente” -, que hoje se realizou no centro náutico de Constância, a vice-presidente da ARH-Tejo disse que a ideia é fazer uma “linha contínua” com as várias rotas existentes e com os vários pontos que ainda não têm um roteiro”, para criar um “corredor uno, um trajecto completo”.

Simone Pio disse ainda que este projecto tem o propósito de “dar a conhecer e aproximar as pessoas num corredor entre a foz do rio, em Lisboa, e a fronteira” com Espanha, permitindo que as populações “se aproximem, redescubram e valorizem” o seu património, como um “corpo integrado”.

O projecto “Tejo a Pé” visa “fomentar e potenciar” o turismo ambiental e o acesso educativo aos espaços naturais e ao património, constituindo-se como “um produto ecoturístico em que os actores fundamentais serão as populações” locais, disse.

Lançar o debate em torno desta ideia foi o mote da sessão de debate “Tejo a Pé”, no âmbito da qual foram hoje debatidas estratégias de promoção ambiental e turística e apresentados casos de sucesso, a nível nacional e ibérico, que “comprovam a pertinência e viabilidade do projecto em causa”, nomeadamente em termos turísticos, económicos e culturais.

Um projecto que Simone Pio classificou de “estruturante e transversal”, tendo manifestado à Lusa o desejo que o mesmo esteja concluído em 2015 e se configure como um “contributo significativo” no âmbito da candidatura do Tejo a Património da Humanidade.

Público online, 06/05/2011

segunda-feira, abril 18, 2011

RIBEIRA DA MEIMOA - PEROVISEU

Para comemorar o Dia Internacional dos Monumentos e Sítios, que tem por tema esta ano Água - Cultura e Património, aqui ficam umas fotos de uma azenha na Ribeira da Meimoa, freguesia de Peroviseu, concelho do Fundão.



segunda-feira, abril 04, 2011

terça-feira, março 15, 2011

PORTAGENS NA A23 - AÍ VÊM ELAS...

A Scutvias, concessionária da SCUT da Beira Interior (A23), iniciou a montagem do pórtico de teste para a cobrança de portagens na Lardosa, Castelo Branco e continua a negociar com o Governo a revisão do contrato de concessão.
A cobrança de portagens na SCUT Beira Interior deverá ter início até 15 de Abril. Perante esta medida que conduzirá ao aumento do despovoamento do interior, só resta dizer ironicamente mais uma vez: «Porreiro, pá!».

sexta-feira, março 04, 2011

INTERCIDADES EM RISCO ATÉ À COVILHÃ

O Grupo de Amigos da Linha da Beira Baixa, “O 6 de Setembro”, avisa, em carta já enviada ao presidente da Câmara da Covilhã, Carlos Pinto, que a CP terá intenções de acabar com o serviço de comboios Intercidades até à Covilhã.

Numa missiva assinada por António Pinto Pires, membro do “6 de Setembro”, este diz que as perspectivas que se esperam para a Linha da Beira Baixa “não são boas” segundo algumas notícias que Grupo tem conseguido apurar. “De acordo com informações recolhidas de fonte segura junto de elementos da CP constitui intenção desta empresa proceder à eliminação do serviço dos comboios Intercidades, pelo menos até à Covilhã, tal como sucedeu recentemente na linha do Alentejo até Beja” avisa Pinto Pires, que explica que com a entrada em funcionameno do serviço de tração eléctrica para Maio do presente ano, “prevê a CP colocar em funcionamento as actuais UTE Unidades Triplas Eléctricas, criando assim um serviço inter-regional terminando com os actuais comboios de máquinas e carruagens até à Covilhã.” Os Amigos da Linha da Beira Baixa referem, contudo, que a entrada em serviço das referidas UTE´s “não consitutui uma mais-valia para o conforto de passageiros uma vez que este tipo de material foi concebido para percursos sub-urbanos, que não devam exceder uma hora, e não para longo curso.” E denunciam que a CP “disponibiliza este material recentemente remodelado para o serviço suburbano porque o tem em excesso, devido a um erro de planificação aquando da sua remodelação uma vez que algumas das unidades daquele parque motor poderiam ter sido adaptadas ao serviço de longo curso.”

O “6 de Setembro” lembra que o serviço Covilhã-Lisboa tem características de longo curso e o material referido “não dispõe das características de conforto para uma viagem de maior duração, não obstante a CP estar a introduzir está prática em algumas linhas, em situações ocasionais, no nosso entender incorrecto.” Um serviço de passageiros longo curso exige, dizem, conforto, “como aliás sucedeu recentemente na linha do Douro em que a mesma foi dotada de automotoras adequadas, apesar de adquiridas em segunda mão a Espanha, com assentos personalizados e o mínimo de condições para o serviço exigido.” O Grupo admite que haja reajustamentos nos serviços prestados e que as referidas automotoras possam na verdade ser adstritas a serviços inter-regionais, “mas longo curso e substituição dos Intercidades constitui a negação do valor e importância que assume uma linha como a da Beira Baixa.”

Apesar de tudo, o “6 de Setembro” admite que não sejam necessários os actuais três comboios realizados em cada sentido e que “um deles possa na verdade ser repensado, mas a integral eliminação dos inter-cidades, constitui um erro irreparável. Tal atitude não deixa de constituir uma contradição após tantos investimentos na "modernização" da linha ao mesmo tempo que se colocam preocupações e interrogações no que se refere às ligações Covilhã - Guarda.”

Pinto Pires diz que já referiu diversas vezes que é fundamental “revitalizar integralmente este troço para que a Covilhã seja transformada num pólo gerador de tráfego tanto para Norte com para Sul. Não faz qualquer sentido este divórcio entre linha da Beira Alta e Beira Baixa. A exploração ferroviária por parte da CP / Refer deviam prever num curto prazo esta questão pelo respeito e dignidade que as localidades de Belmonte, Covilhã Fundão e Castelo Branco exigem.” E diz que estas medidas, a serem tomadas, serão “uma enorme afronta aos interesses das nossas populações.”

Na passada semana, durante a greve da CP, houve cancelamento de comboios Intercidades para alguns destinos, entre os quais a Guarda e a Covilhã. Segundo alguns jornais, a electrificação total da Linha da Beira Baixa estará concluída no Verão.
Notícias da Covilhã online, 23/02/2011

A confirmar-se esta notícia, após milhares de euros gastos na renovação da linha da Beira Baixa, só resta ironicamente dizer: Porreiro pá!

sexta-feira, fevereiro 18, 2011

Está patente no Museu Municipal desde o dia 15 de Fevereiro até ao dia 20 de Abril, a exposição TERRA DE LINCES, que tem por objectivo dar a conhecer a difícil situação do felino mais ameaçado do mundo, criar um sentimento de urgência nas populações relativamente à preservação da biodiversidade e, particularmente, estimular um clima favorável à reintrodução do lince ibérico na região.

quarta-feira, fevereiro 09, 2011

OLEIROS - O MILAGRE DA HORTA DA SANTA

Reza a história que há duzentos anos a terceira invasão francesa passou por Oleiros. A antiga igreja de Santa Margarida foi transformada em paiol e na sua retirada os franceses fizeram-na explodir. Mas a imagem da padroeira de Oleiros resistiu até aos dias de hoje.
Aquela e outras histórias foram assinaladas no passado sábado, na propriedade Horta da Santa, em Oleiros, onde na altura se encontrava a igreja de Santa Margarida. Os franceses, na sua terceira invasão a terras lusitanas, terão chegado a Oleiros no dia 2 de Fevereiro de 1811. Os invasores terão chegado pela rota que ligava Abrantes ao Fundão, a chamada estrada nova.
António José Guimarães foi um dos impulsionadores da iniciativa, com o objectivo não só de relembrar o bicentenário, mas sobretudo para "reforçar a amizade entre as pessoas. Uma amizade que foi fundamental para defrontar os invasores. Esta evocação pretende valorizar o nosso património, crenças, lendas e declarar o nosso amor por Oleiros".
A invasão francesa, o modo como os oleirenses souberam lidar com a situação e a devoção que os oleirenses têm para com Santa Margarida acabam por estar interligados. "A imagem que hoje se encontra na Igreja Matriz é aquela que se encontrava neste local em 1811", começa por explicar o Cónego Martinho Cardoso. O pároco de Oleiros lembra que "essa invasão terá passado precisamente neste local, na Horta da Santa. Antes deles chegarem a este local, todo o povo que aqui vivia dispersou-se pelas serras entre a Amieira e Cambas, levando consigo aquilo que tinham".
Nessa altura os franceses transformaram a antiga capelinha de Santa Margarida, para ali instalarem o seu paiol. "Quando resolveram partir deitaram fogo à capela. Foi tudo pelos ares e a imagem que hoje se encontra na igreja matriz, e a partir da qual se fez uma réplica, foi encontrada intacta, embora depois tivesse que ser retocada devido ao fumo", acrescentou Martinho Cardoso. Foi nessa altura que o povo começou a afirmar que se tratava do "milagre da Horta da Santa".

Jornal Reconquista Online, 9 de Fevereito de 2011

segunda-feira, janeiro 31, 2011

1 DE FEVEREIRO DE 1811 - OS FRANCESES SÃO VIOLENTAMENTE ATACADOS NA SERRA DA MAUNÇA

O General francês Maximilien Foy que se dirigia de Salamanca para Santarém, para se unir às tropas de Massena, ao percorrer a Estrada Real ou Nova, que ligava a Enxabarda (Fundão) a Cardigos (Mação), é atacado por oitenta ordenanças de Alpedrinha, que sob o comando do Tenente-Coronel J. Grant, apoiados pelo povo das terras da Serra da Maunça provocaram uma enorme mortante no exército francês. Aqui ficam as transcrições das cartas do comandante inglês que relatam esses violentos combates travados em terras dos actuais concelhos do Fundão e Castelo Branco. É se salientar que o comandante inglês omitiu nas suas cartas a participação dos populares nestes combates, participação essa bem presente na tradição oral das populações da zona.

«Sede servido referir a S. Exa. o Comandante em Chefe, que ontem uma coluna do inimigo debaixo do comando do General Foy, consistindo em 3 mil cavalos e infantes, de Ciudad Rodrigo passou pela estrada nova, para se unir a Massena. Pernoitou aos 31 em Alcaria, junto ao Fundão. No primeiro deste mês tomei posto em um outeiro junto a esta aldeia, por onde o inimigo devia passar, tendo comigo oitenta ordenanças de Alpedrinha; fez-se-lhe um em dirigido fogo por duas horas, e terminou somente com a noite: o resultado foi, dezoito mortos na estrada, grande número de feridos e dez prisioneiros; vários dos feridos acharam-se mortos esta manhã, pela extrema inclemência do tempo: também se tomaram diversos carros de trigo, e considerável número de bois. Tendo mandado partidas para picar a frente e a rectaguarda do inimigo, tenho razão para pensar que ele deve ter sofrido consideravelmente antes de deixar a estrada nova; nós só perdemos somente um homem, com poucos cavalos feridos, entre eles o meu».
Carta do Tenente-Coronel J. Grant, dirigida da Enxabarda ao Coronel D´ Urban, em 2 de Fevereiro de 1811

«Tende a bondade de referir a Sua Excelência o Marechal, que o resultado da acção do primeiro do corrente mês, junto a Enxabarda, foi mais completo do que eu ao princípio referi; acharam-se mortos duzentos e sete do inimigo, aos dois do corrente, no espaço de quatro léguas, parte dos quais morreu em consequência de feridas de da inclemência do tempo: estão também em meu poder dezoito prisioneiros, e quatro ingleses, que tinham enrado no serviço francês, na Legião Irlandesa, para efectuar a sua fugida, tendo estado cinco anos prisioneiros; um deles é do regimento 30, os outros tinham sido marinheiros. Tenho também que dizer, que o coronel do regimento francês 30, e o quartel-mestre do mesmo regimento foram achados mortos. O inimigo perdeu a maior parte da sua bagagem e gado. Envio alguns dos seus papéis e cartas».

Carta do Tenente-Coronel J. Grant, dirigida do Fundão ao Coronel D´Urban, em
4 de Fevereiro de 1811
Trajecto da Estrada Real ou Estrada Nova na Serra da Maunça
(Imagem retirada de dosenxidros.blogspot.com)

Bibliografia:
Excerptos Históricos e Collecção de Documentos Relativos á Guerra Denominada da Peninsula e ás Anteriores, Chaby, Claudio de, Volume 3, Imprensa Nacional, Lisboa, 1865.

segunda-feira, janeiro 03, 2011

COVILHÃ - PONTE PEDONAL DA CARPINTEIRA ELEITA COMO UM DOS 7 DESTINOS DESIGN MAIS INTERESSANTES

A Ponte Pedonal sobre a Ribeira da Carpinteira, na Covilhã, foi escolhida pela revista Travel + Leisure como um dos sete destinos relacionados com design mais interessantes do mundo.

Segundo a edição online da publicação norte-americana, dedicada ao turismo e lazer e referente a janeiro de 2011, a ponte "é uma das mais impressionantes" de entre "as novas pontes pedonais de grande altura" construídas em diferentes pontos do globo.

A obra da autoria do arquiteto Carrilho da Graça, inaugurada em 2009, tem 52 metros de altura (o equivalente a um edifício de 17 andares), 220 metros de extensão, 4,40 metros de largura e uma estrutura de aço para betão armado com 250 toneladas.

A estrutura liga o Bairro dos Penedos Altos ao centro da cidade, reduzindo o percurso que obrigava a contornar as encostas do vale da Carpinteira.

Carrilho da Graça acredita que o enquadramento da ponte, num vale recortado "com a Serra da Estrela em cima e a Cova da Beira em baixo", contribuiu para a distinção, referiu hoje à agência Lusa.

O trabalho em parceria com o engenheiro Adão da Fonseca "foi um desafio interessante: não é fácil fazer experiências em edifícios e aqui conseguimos levar a estrutura até ao limite", acrescentou.

A ponte sobre a Ribeira da Carpinteira está ainda nomeada para o prémio Mies van der Rohe (em memória do arquiteto alemão com o mesmo nome) - assim como a intervenção de Carrilho da Graça no Castelo de São Jorge, em Lisboa.

"Esta não é a primeira vez que a ponte é reconhecida por publicações internacionais, que só provam que tínhamos razão quando decidimos construi-la", referiu Carlos Pinto, presidente da Câmara da Covilhã.

"É a consagração de uma obra, não só pela sua utilidade, mas também pela forma e enquadramento", destacou.

Para Carlos Pinto, a ponte é cada vez mais "um dos ícones da Covilhã e será um elemento fundamental na identidade da cidade".

A travessia custou cerca de três milhões de euros e faz parte do plano de mobilidade da cidade, iniciado há sete anos e que pretende cortar os vales e aplanar as encostas que caracterizam a cidade com outras obras como elevadores e funiculares.

Carlos Pinto espera concluir todos os projetos do plano de mobilidade até final do mandato.

Os restante seis destinos mais interessantes do mundo ao nível de design, segundo a edição de janeiro de 2011 da Travel & Leisure, são estruturas construídas na Nova Zelândia, Alemanha, Polónia, China, Áustria e Qatar.

A Travel + Leisure é publicada 12 vezes por ano pela empresa editorial da American Express, que lhe atribui uma audiência média 4,8 milhões de leitores.

Jornal Reconquista, edição online.
Foto: mafiadacova.blogspot.com

quinta-feira, dezembro 23, 2010

FELIZ NATAL E UM PRÓSPERO ANO NOVO

FELIZ NATAL E UM PRÓSPERO ANO NOVO

sexta-feira, novembro 19, 2010

MOVIMENTO QUER FAZER DO SOBREIRO A ÁRVORE NACIONAL

O Canadá tem o plátano, a Inglaterra o carvalho e Portugal poderá vir a ter o sobreiro.

“Ao contrário do que se possa pensar, esta árvore está presente em todo o território nacional, não apenas no Alentejo. E não nos podemos esquecer da sua importância vital aos níveis social, cultural e económico”, justificou ao PÚBLICO Miguel Rodrigues, da Árvores de Portugal que, com a Transumância e Natu¬reza (ATN), é responsável por esta iniciativa.
O território nacional do sobreiro (Quercus suber) estende-se por 737 mil hectares, segundo o Inventário Florestal Nacional de 2006. Ou seja, 32 por cento da área que a espécie ocupa no Mediterrâneo ocidental.
Além da importante biodiversidade associada aos montados, o sobreiro ajuda a travar a desertificação do solo e a gerar receitas da exploração da cortiça. Segundo os responsáveis pela iniciativa, o país produz cerca de 200 mil toneladas de cortiça por ano, mais de 50 por cento do total mundial. “A perda desta liderança representaria um descalabro económico, social e ambiental sem paralelo para o nosso país”, alertam.
Ainda que o sobreiro esteja protegido por lei, desde Maio de 2001, Miguel Rodrigues considera que “a legislação por si só não tem conseguido travar o declínio do sobreiro. Há sempre excepções que se abrem na lei, ao sabor das decisões que vão sendo tomadas”.
Há vários anos que Domingos Patacho, da Quercus, tem denunciado o abate ilegal de sobreiros. E hoje, contou, “continuam a existir denúncias, especialmente na zona envolvente da Grande Lisboa”.
Ricardo Nabais, da ATN, também é da opinião que, perante grandes projectos, “a protecção legal não é suficiente. É preciso acarinhar a árvore enquanto símbolo de Portugal”. “Queremos atingir a maioria da população portuguesa”, disse.
Além dos abates de árvores para dar lugar a projectos imobiliários, a ameaça aos sobreirais tem outras origens. “O que está a matar o sobreiro é o efeito de muitos anos de má gestão dos montados, como o excesso de pisoteio pelo gado, excesso de matéria orgânica e uma gradagem do solo demasiado profunda”, explicou Miguel Rodrigues. Os vedantes sintéticos, em substituição das rolhas de cortiça, “podem ser a machadada final”.
Ainda assim, o país tem grandes manchas de montado e árvores monumentais. Segundo os dados da Autoridade Floresta Nacional relativos a 2008, existem 41 sobreiros classificados como árvores de interesse público. Miguel Rodrigues estima que aquele que será o sobreiro mais antigo e o maior situa-se em Pai Anes, Castelo de Vide. Terá cerca de 500 anos. “Isto é uma coisa fabulosa para um sobreiro, dado que costuma viver 200 anos”. No entanto, esta árvore “deverá estar já fase terminal da sua vida e perdeu, há cerca de dois anos, uma das pernadas principais, da grossura de um sobreiro adulto”.
Miguel Rodrigues adiantou que está em fase de classificação o sobreiro da Corte Grande, em Monchique. Este é, “provavelmente, o maior do Algarve e um dos maiores do país”.

As duas associações vão convidar uma lista de entidades para formar um núcleo inicial da iniciativa, entre as quais universidades, associações de defesa do ambiente e associações florestais. Depois vão preparar um documento técnico que justifique a classificação e, por fim, lançar uma petição para levar à Assembleia da República.

Mas o trabalho não acaba por aqui. “Depois de classificar, queremos ver o que tem de ser feito para travar a perda do montado e recuperá-lo”, explicou o responsável, salientando a importância de uma estratégia para a reflorestação, em vez das plantações “pontuais para aproveitar subsídios europeus”.

Público online, 19/11/2010

sábado, novembro 13, 2010

sábado, outubro 09, 2010

PÉROLAS DOS NOSSOS POLÍTICOS

«Não são sacrifícios incomportáveis. O povo tem de sofrer as crises como o Governo as sofre»
Almeida Santos, Presidente do PS

O Senhor Presidente do PS não deve saber que há mais de 500 mil desempregados, milhares de reformas de miséria, milhares de trabalhadores a receber o salário mínimo, etc. Alguma vez um membro do Governo passou por essas dificuldades?

«
Se abrissem a cantina da Assembleia da República à noite, eu ia lá jantar. Eu e muitos outros deputados da província. Quase não temos dinheiro para comer»
Ricardo Gonçalves, deputado do PS eleito por Braga a propósito da redução das ajudas de custo para 67 euros por dia.

Coitadinho! Tanta fome que ele passar! Acho que este senhor deputado para não morrer à fome deve abandonar o parlamento e levar com eles os outros 229 deputados que também devem estar a morrer à fome. Demita-se e não goze com o povo!


terça-feira, outubro 05, 2010

quinta-feira, setembro 23, 2010

CASTELO BRANCO 1830-1930 - UM SÉCULO DE VIDA DA CIDADE

O segundo volume do estudo "Castelo Branco 1830-1930 - Um século na Vida da Cidade" foi apresentado, na passada quinta-feira. A obra editada pela Câmara Municipal de Castelo Branco, resulta de um trabalho de investigação desenvolvido pelo albicastrense Manuel Morais Martins e constitui mais um valioso contributo para a história da cidade de Castelo Branco.

quinta-feira, setembro 16, 2010

CHOCALHOS 2010

ALPEDRINHA
17 a 19 de Setembro

segunda-feira, agosto 30, 2010

ADUFE nº 17


Acabou de sair mais um número da ADUFE, Revista Cultural de Idanha-a-Nova. Continua a qualidade de sempre, a vontade de ler tudo de uma só vez e o desejo de que o próximo número não demore a sair.

domingo, agosto 22, 2010

22 DE AGOSTO DE 1810 - COMBATE DO LADOEIRO

No dia 22 de Agosto de 1810, um esquadrão inglês do 13º Regimento de Dragões Ligeiros e um esquadrão português do Regimento de Cavalaria nº 4, sob o comando do Capitão William White, em missão de patrulha próximo do Ladoeiro, encontraram uma patrulha francesa a efectuar reconhecimento à zona, composta por sessenta cavaleiros. De imediato as tropas luso-britânicas se preparam para o combate, mas os franceses retiram, são perseguidos a galope durante cerca de seis milhas, até que os franceses passam uma linha de água (cujo nome é desconhecido, pois ajudaria a localizar com exactidão o local do combate), e mais à frente, colocam-se em formação para o combate. As tropas luso-britânicas passam também essa linha de água, formam com frente de três e carregam violentamente sobre o inimigo, conseguindo em pouco tempo derrotá-lo e aprisionar dois tenentes, três sargentos, seis cabos, um clarim e cinquenta soldados. Diz o Brigadeiro Fane [1] em comunicação ao Tenente-General Hill acerca do combate do Ladoeiro Julgo-me feliz em poder dizer, que isto se fez sem perder um só homem da nossa parte. Seis do inimigo ficaram feridos. Vários cavalos ficaram feridos com golpes de sabre e todos os cavalos franceses foram capturados.

Neste combate destacaram-se pela sua valentia, reconhecida até pelos prisioneiros franceses, para além do Capitão White, o Major Charles Albert Vigoureux, do 38º Regimento de Infantaria inglês, que se encontrava na zona para obtenção de informações que ao avistar os franceses solicitou ao Capitão White um cavalo para participar na carga, uma vez que realizava a sua missão apeado, tendo sido ele quem aceitou a rendição do comandante francês. Destacou-se, também, pela sua coragem o Tenente Turner do 13º Regimento de Dragões Ligeiros. Quanto ao comandante do esquadrão português, o Alferes Pedro Raymundo de Oliveira fizera o seu dever extremamente bem, e mostrara muito valor. Pela distinta conduta neste combate, o Alferes Oliveira foi promovido, por distinção, ao posto de Tenente, por ordem do Marechal Beresford.

Ao serem avistados os franceses o Capitão White tinha solicitado, por estafeta, ajuda ao seu regimento estacionado nos Escalos de Cima, mas quando esse reforços comandados pelo Capitão Macalester, chegaram já o combate tinha terminado há muito tempo e retirando-se nessa mesma tarde, para o bivaque nos Escalos de Cima.

Quanto aos prisioneiros franceses, estes foram tratados com grande humanidade e mais tarde transferidos para Castelo Branco e entregues ao Tenente-General Hill. Mas a confusão que se seguiu após o combate permitiu que o capitão francês, que também fora aprisionado, e alguns soldados fugissem, acabando no entanto por ser mortos. Segundo William Harre [2], os fugitivos acabaram por ser mortos pela população, concretizando desta forma aquilo que Wellesly tinha escrito numa carta ao irmão, dois dias antes por trás de cada muro de pedra, os franceses encontrarão um inimigo.

O combate do Ladoeiro aparece em muitas fontes portuguesas e inglesas, erradamente designado como Ladoeira, Ladoira ou Ladoera. Curiosamente, aparece mais vezes errada a designação em fontes portuguesas do que inglesas, mas isso não impede que a localização seja feita correctamente, como próximo do Ladoeiro, freguesia do concelho de Idanha-a-Nova.

Os principais comandantes deste combate continuaram durante a Guerra Peninsular a manter uma conduta distinta e, inclusivamente, a sofrer ferimentos em combate, nomeadamente o Capitão White em Salamanca em 1812, e o Tenente Oliveira em Viella, em 1814. Ambos regimentos luso-britânicos mantiveram, igualmente em combate um comportamento exemplar, tendo o 13º Regimento de Dragões Ligeiros participado, entre outros confrontos na Batalha de Waterloo e tendo o Regimento de Cavalaria nº 4, distinguindo-se em muitos outros combates e batalhas, nomeadamente no Buçaco e em Viella, conquistando arduamente a sua divisa Perguntai ao Inimigo Quem Somos, que também ajudou a ser ganha nos campos da Idanha.

Notas

[1] O Brigadeiro Fane, era o comandante da cavalaria da 2ª divisão, à qual pertencia o 13º Regimento de Dragões Ligeiros e o Regimento de Cavalaria nº 4.

[2] William Warre, Major, Ajudante de Campo de Beresford, teve conhecimento do combate através dos relatórios, pois na altura encontrava-se na Lageosa, onde escreveu a carta datada de 29 de Agosto de 1810, onde este combate é mencionado.

terça-feira, agosto 03, 2010

3 DE AGOSTO DE 1810 - COMBATE DE ATALAIA

No dia 3 de Agosto de 1810, uma força constituída por cento e dois homens do Regimento de Cavalaria nº 1, sob o comando do Coronel Cristóvão da Costa de Athayde Teive derrotou na Atalaia com uma valente carga, uma força francesa composta por sessenta homens, deixando mortos e feridos mais de trinta soldados, pondo em fuga o resto, aprisionando depois catorze. Do lado português morreu um soldado, um cavalo e três cavalos feridos. Acerca deste combate pode-se ler na Ordem do Dia do Exército Português: A carga que deu o referido Sr. Coronel contra o inimigo decidiu instantaneamente a acção, e a conquista das tropas que estavam debaixo das suas ordens, mostrou, assim como se tem mostrado em todos os assuntos que tem tido as tropas portuguesas com o inimigo, que ao valor natural e nacional destas só faltava disciplina para lhe assegurar a vitória. O Sr. Marechal (William Beresford, Comandante do Exército Português) roga ao Coronel Cristovão da Costa Athayde Teiva, aos oficiais e soldados que entraram na acção que recebam a sua aprovação e agradecimentos.
Sobre o local onde este combate se deu, a sua localização é desconhecida, nomeadamente perto de qual das Atalaias (do Campo ou Póvoa) ocorreu, uma vez que a documentação somente se refere a ele como Combate da Atalaia e até erradamente por vezes o localiza na Cova da Beira, advindo em minha opinião que este erro se deve à antiga denominação da actual Atalaia do Campo, então designada por Atalaia da Beira. Assim, este Combate terá ocorrido próximo da Atalaia do Campo, no concelho do Fundão, atendendo também que a força portuguesa se movimentava segundo a documentação entre a Lardosa e o Fundão.

domingo, agosto 01, 2010

1 DE AGOSTO DE 1810 - COMBATE DE ALCAFOZES

No dia 1 de Agosto de 1810, uma força de vinte e um homens do Regimento de Cavalaria nº 1, enfrentou uma força francesa que se encontrava em patrulha próximo da aldeia de Alcafozes. Deste combate resultaram do lado português um soldado e um cavalo mortos e o extravio de dois soldados e dois cavalos.
Este combate está romanceado na obra Os Amantes da Lua Negra, da autoria de António Rolo, editado em 2002, pela editora Palimage.

sábado, julho 24, 2010

24 DE JULHO DE 1810 - COMBATE DE SALVATERRA DO EXTREMO

No mesmo dia em que as forças luso-britânicas do General Craufurd são obrigadas a retirar para oeste do rio Côa, na Beira Baixa e nas imediações de Salvaterra do Extremo, os franceses entram em Portugal e são derrotados por uma força constituída por 208 homens dos Regimentos de Cavalaria 5 e 11. Neste combate do lado português morreram cinco soldados e 2 cavalos. Registe-se ainda que na sequência do combate extraviaram-se 4 cavalos. Quanto às baixas do lado francês não há registos.