sexta-feira, março 21, 2008
domingo, março 09, 2008
ELECTRIFICAÇÃO DA LINHA DA BEIRA BAIXA, FINALMENTE!
Finalmente parece que vai começar em Maio a electrificação da linha ferroviária da Beira Baixa, entre Castelo Branco (onde incompreensivelmente parou a electrificação) e a Covilhã. Esta obra que foi há muito prometida pelo nossos governantes, mas só agora parece que se vai realizar. Vamos finalmente poder viajar da Covilhã até Lisboa sem ter de mudar de locomotiva em Castelo Branco, ganhando-se 15 minutos no tempo da viagem. Agora só falta a rectificação do traçado da linha!sexta-feira, fevereiro 29, 2008
EU VINHA COMPRAR SAPATOS ITALIANOS... INACREDITÁVEL
O ministro da economia Manuel Pinho abriu a boca e mais uma vez disse asneira. Na maior feira de calçado do mundo a decorrer em Milão e a convite de empresários portugueses disse "Eu vinha cá comprar sapatos italianos, mas fiquei tão impressionado com a qualidade dos sapatos portugueses que vou levar sapatos portugueses. Vinha comprar sapatos italianos porque têm um óptimo nome em termos de design". Inacreditável não é? Veja o video do Jornal da noite da SIC e confirme o disparate.http://sic.sapo.pt/online/scripts/2007/videopopup.aspx?videoId={7A9118F7-EBB3-4C7E-AE44-3B59B7F2682B}
É assim que os nossos ministros ajudam a promover a indústria portuguesa? É assim que se agradece um convite e se ofende quem convida? Será que o senhor ministro da economia não tem assessores que o ajudem a não dizer estes disparates? Com ministros destes, não precisamos de publicidade aos produtos estrangeiros, estes ministros encarregam-se de a fazer. Senhor ministro deixe de dizer disparates e compre produtos nacionais!!
domingo, fevereiro 24, 2008
CASTELO BRANCO - 1º LUGAR EM ACESSIBILIDADES E TRANSPORTES
Segundo um estudo elaborado pelo Instituto de Tecnologia Comportamental - INTEC, intulado Os Melhores Municípios Para Viver, divulgado pelo semanário Sol do passado sábado, Castelo Branco obteve o primeiro lugar em Acessibilidades e Tranportes e obteve igualmente boa classificação na área do Ambiente. Os primeiros lugares deste estudo que avaliou a qualidade de vida nos concelhos portugueses, foram para Albufeira, São João da Madeira e Coimbra. Curiosamente, Lisboa e Porto a melhor classificação que obtiveram neste estudo foi um segundo e terceiro lugar respectivamente, nas áreas do Turismo e da Saúde. Deste estudo só se pode concluir que é bom viver no interior.sábado, fevereiro 16, 2008
sexta-feira, fevereiro 15, 2008
CONCENTRAÇÃO MOTARD EM PLENO PARQUE NATURAL DA SERRA DA ESTRELA
Vai realizar-se este fim de semana uma concentração motard no Covão da Ametade, em pleno coração do Parque Natural da Serra da Estrela. Segundo a organização serão tidos em contas todos os cuidados ambentais, mas será que os organizadores não tem outro local para realizar um encontro desse género? Porquê a realização de um encontro desse género num local protegido? Será que quem deu a autorização para a realização desse encontro, não acha que esse local já recebe durante o ano inúmeras agressões e ainda precisa de mais um encontro motard? Enfim, parece que para alguns iluminados (organização e entidades que gerem a serra) é desta forma que se protege e promove o destino Serra da Estrela... Pobre Serra da Estrela com promotores e organizadores destes, Nossa Senhora da Estrela nos valha!domingo, fevereiro 10, 2008
ACABOU O SONHO DO SERTANENSE
E pronto, acabou o sonho do Sertanense de se qualificar para os quartos de final da Taça de Portugal, ao perder por 4-0 contra o Futebol clube do Porto.O Sertanense (equipa que joga na III divisão), pela luta que deu, merecia um golo de consolação, pois, apesar de o domínio do jogo ter pertencido ao Futebol Clube do Porto, nunca baixou os braços, mas o futebol é assim.
terça-feira, fevereiro 05, 2008
FUNDÃO - CARNAVAL 2008
Mais um carnaval e mais uma vez a sátira saiu à rua. Críticas à política de saúde, à palermice dos parquímetros no Fundão, às hablitações do 1º ministro, ao machado da ASAE, etc. É carnaval ninguém leva a mal.
segunda-feira, fevereiro 04, 2008
OS 100 ANOS DO REGICÍDIO E O RIDÍCULO DO MINISTRO DA DEFESA
Cem anos após a morte do rei D. Carlos e do princípe D. Luís Filipe a questão da monarquia versus república continua a dividir alguns portugueses. Mas, para além dessa questão, o ridículo também tem lugar, é o caso da proibição do Ministro da Defesa ao não autorizar a participação do Colégio Militar e do Regimento de Lanceiros nº 2 nas homenagens que tiveram lugar no Terreiro do Paço, alegando que o Exército deve criteriosamente seleccionar as cerimónias em que participa e restringi-las ao âmbito militar. Será que ninguém esclareceu o ministro de que D.Carlos foi comandante honorário dessas duas instituições militares? Será que o sr. ministro não foi informado de que até o Presidente da República (Comandante Supremo das Forças Armadas) ia participar nessa cerimónia? Será que homenagear um rei de Portugal não é digno da participaçãodo Exército? Será que o sr. ministro, certamente um republicano e socialista (talvez até laico, como o outro!!) quer avivar a querela república versus monarquia? Ou será que foi só para agradar ao Bloco de Esquerda (que questionou essa participação)?Sr. ministro foi ridícula a sua atitude, mas por favor deixe que o Colégio Militar e o Regimento de Lanceiros continuem a homenagear os seus antigos comandantes. Um ministro da defesa tem mais com que se ocupar do que proibir participações em homenagens, por exemplo com as novas viaturas blindadas Pandur, que estão a ser entregues com atraso e que até metem água quando deviam ser anfíbias...
quinta-feira, janeiro 31, 2008
sábado, janeiro 19, 2008
«OLIVENÇA É FOLCLORE DEMOCRÁTICO»
NOJO!!!! É o que senti hoje ao ouvir o 1º ministro José Sócrates interrogado sobre a presença de um grupo de pessoas que se manifestaram em Braga durante a realização da Cimeira Luso-Espanhola, chamando à atenção dos governos português e espanhol para a questão de Olivença. É esta a resposta de um governante de um país, que tem sobre uma parte do seu território ilegalmente ocupado pela Espanha desde 1801? Será que este senhor 1º ministro por acaso conhece a história de Olivença? Será que o senhor 1º ministro de Portugal tem receio de levantar esta questão e comprometer a grande amizade que diz ter com o 1º ministro espanhol? Enfim!!! São estes os governantes que temos, que desconhecem a história do seu país, que se põem de cócoras perantes os países mais poderosos e se recusam a tocar em questões que podem beliscar a «harmonia ibérica».
quarta-feira, janeiro 16, 2008
GRIFOS EM DIRECTO DO TEJO INTERNACIONAL
No âmbito do programa «Público na Escola - Grifos na Web», pode ver em directo um ninho de grifos, colocado numa escarpa do Tejo Internacional. Este projecto do jornal Público pretende que os alunos das escolas das escolas básicas e secundárias, possam seguir em directo, 24 horas por dia, o comportamento destes animais e perceber a necessidade de conservar todas as espécies ameçadas em Portugal.
domingo, janeiro 13, 2008
O DISTRITO DE CASTELO BRANCO NA FILATELIA - OS MONUMENTOS
O primeiro monumento nacional do distrito a ser retratado num selo foi o Jardim do Paço Episcopal de Castelo Branco. O selo fez parte da do 2º grupo da emissão base Paisagens e Monumentos, emitidos entre 1972 e 1977. Conhecem-se quatro variedades deste selo, cada uma delas emitida num ano diferente e que consta no verso do selo. Apresentamos aqui um postal máximo triplo, elaborado por ocasião da APBIPEX - Exposição de Filatelia e Maximafilia de Castelo Branco de Dezembro de 1983.O segundo monumento do distrito a figurar num selo, foi a chamada Torre de Centum Cellas,
edificada pelos romanos no século I d.C. e situada no Colmeal da Torre, concelho de Belmonte. Este selo fez parte da emissão EUROPA C.E.P.T., do ano de 1978. Foram emitidos quatro milhões de selos, que entram em circulação a 2 de Maio de 1978. A autoria do desenho é de Alberto Cardoso. No selo ainda consta que se tratava de uma pousada romana, o que está incorrecto, pois as escavações arquelógicas realizadas há poucos anos, comprovaram que essas ruínas são de uma antiga villa e não de nenhuma pousada, como até há pouco tempo se julgava.
edificada pelos romanos no século I d.C. e situada no Colmeal da Torre, concelho de Belmonte. Este selo fez parte da emissão EUROPA C.E.P.T., do ano de 1978. Foram emitidos quatro milhões de selos, que entram em circulação a 2 de Maio de 1978. A autoria do desenho é de Alberto Cardoso. No selo ainda consta que se tratava de uma pousada romana, o que está incorrecto, pois as escavações arquelógicas realizadas há poucos anos, comprovaram que essas ruínas são de uma antiga villa e não de nenhuma pousada, como até há pouco tempo se julgava.Em 1986, o castelo de Belmonte foi o escolhido para representar o distrito, na emissão Castelos e Brasões de Portugal (3º grupo). Foi emitido um milhão de selos, com o valor facial de 22$50, que circularam de 8 de Setembro de 1986 31 de Dezembro de 1992. Os CTT emitiram igualmente uma carteira, onde
para além de figurarem quatro selos com o castelo de Belmonte, está representado também o brasão da cidade de Castelo Branco. O desenho do selo é da autoria de José Luís tinoco e o brasão da carteira é da autoria de J. Bénard Guedes.
para além de figurarem quatro selos com o castelo de Belmonte, está representado também o brasão da cidade de Castelo Branco. O desenho do selo é da autoria de José Luís tinoco e o brasão da carteira é da autoria de J. Bénard Guedes.O concelho de Belmonte, torna-se assim na filatelia portuguesa relativa ao distrito de Castelo Branco, aquele que mais monumentos tem representados em selos.
quarta-feira, janeiro 02, 2008
FIM DAS URGÊNCIAS NO FUNDÃO
E pronto já não há urgências no Fundão! Durante o dia há aquilo que chamaram de Consulta Aberta, ou seja por agora ainda está aberta, mas daqui a uns tempos estará fechada... O povinho cala-se e aceita. É esta a triste sina deste povo, que quanto mais lhe pisam os calos, mais gosta que o façam. Nem um protesto das populações, só uma troca de mimos na Assembleia Municipal entre os os principais partidos, que são coniventes com esta situação, mas que agora nem abrem a boca.
Quanto ao senhor ministro da saúde devia experimentar as más estradas do concelho até chegar ao Fundão e depois ainda ter que percorrer mais 15 ou 16 Kms até à Covilhã para ser atendido numa urgência já saturada. Assim, ficava a saber como custa viver no interior, pagar impostos como os habitantes do litoral e ficar sem os serviços básicos que o Estado devia dar a todos os cidadãos. Porque quanto ao 1º ministro, que apesar de deputado eleito pelo distrito de Castelo Branco, há muito que se esqueceu de nós (e da maior parte dos portugueses!).
domingo, dezembro 30, 2007
EXPOSIÇÃO «SABOROSOS POSTAIS»
Está patente no Museu do Pão de Seia a exposição postais antigos portugueses com publicidade alimentar. Nesta exposição constam mais de uma centena de postais, desde os finais do século XIX até meados do século XX, retratando a memória de produtos alimentares, muitos deles entretanto desaparecidos. Estes postais antigos são também a memória económica de Portugal e dos seus produtos gastronómicos mais característicos.A exposição decorre até Abril de 2008.
quinta-feira, dezembro 27, 2007
O DISTRITO DE CASTELO BRANCO NA FILATELIA - AS CIDADES
Iniciamos hoje uma série de posts que pretendem destacar as emissões filatélicas relacionadas com o distito de Castelo Branco, nomeadamente as cidades, os vultos da história nascidos no distrito ou com ele relacionados, a arte popular, os monumentos , a arquitectura popular, a fauna, etc.A primeira cidade do distrito a ser alvo de uma emissão filatélica foi a Covilhã em 1970, por ocasião do 1º centenário de elevação a cidade. Os desenhos dos selos são da autoria de Cândido Costa Pinto e representam as armas da cidade da Covilhã, e uma alegoria à indústria dos lanifícios. Os selos foram impressos em offset pela Casa da Moeda sobre papel ilustrado, em folhas de 100 selos com denteado 11-3/4. Foram emitidos 9 milhões de selos de 1$00 e 1 milhão de selos de 2$80. Foram postos em circulação a 7 de Ou
tubro de 1970 e circularam até 31 de Dezembro de 1983.A capital de distrito foi por sua vez também contemplada numa emissão de selos em 1971, por ocasião do 2º centenário de elevação a cidade. O desenho dos selos é de Alberto Cardoso e representam o Arco do Bispo, o Cruzeiro de S. João e as armas da cidade de Castelo Branco. Foram impressos em off-set pela Litografia Nacional sobre papel esmalte, em folhas de 100 selos com denteado 14,5. Foram emitidos 9 milhões de selos de 1$00, 1,5 milhões de selos de
3$00 e 1,5 milhões de selos de 12$50. Circularam entre 7 de Outubro de 1971 e 31 de Dezembro de 1983.
3$00 e 1,5 milhões de selos de 12$50. Circularam entre 7 de Outubro de 1971 e 31 de Dezembro de 1983.domingo, dezembro 23, 2007
quinta-feira, dezembro 20, 2007
VULTOS DA BEIRA INTERIOR - JOSÉ SILVESTRE RIBEIRO
Nasceu em Idanha-a-nova em 31 de Dezembro de 1807 e morreu em Lisboa em a 9 de Março de 1891. Filho de António Nunes Ribeiro e de Josefa Pereira da Silva. Fez os estudos preparatórios na sua vila natal, tendo-se matriculado no 1.º ano do curso de Filosofia da Universidade de Coimbra a 14 de Outubro de 1823 e, no ano seguinte, matriculou-se no 1.º ano jurídico na mesma Universidade.A sua convicção liberal levou a que se destacasse no contexto académico, ficando como memorável o debate que sustentou com João Baptista Teixeira de Sousa, então estudante de Direito, numa aula do lente Faustino Simões Ferreira, em defesa do regime liberal. Num percurso típico da sua geração, José Silvestre Ribeiro incorporou-se no Batalhão Académico que se formou em defesa do liberalismo, sendo obrigado, pelas vicissitudes que se seguiram à Vilafrancada a abandonar a Universidade de Coimbra e a procurar o exílio. Falhada a Belfastada, integrou o exército dos vencidos e refugiou-se na Galiza, de onde partiu para Paris.
Em Paris procurou retomar a sua formação académica, assistindo a aulas na Universidade e estudando com François Guizot. Esta passagem por Paris, apesar de curta, teria repercussões no pensamento de Silvestre Ribeiro. Aqui ganhou uma visão europeísta de Portugal, que o levou a ser crítico em relação a muitas das opções africanistas e pró-coloniais da intelectualidade e dos políticos portugueses seus contemporâneos.
De Paris partiu para Plymouth, onde se incorpora nas forças do partido liberal que partiram para Belle-Île e daí para a ilha Terceira. Durante a sua estadia em Belle-Île destaca-se como um dos organizadores da expedição, integrando-se no Batalhão dos Voluntários Académicos comandado por João Pedro Soares Luna. Na Terceira, face às dissidências que já afligiam o campo liberal, ficou com o seu batalhão acantonado na vila da Praia, participando activamente nas escaramuças que se travaram contra as guerrilhas absolutistas que ainda subsistiam na ilha. Após a chegada aos Açores de D. Pedro IV, partiu para Ponta Delgada, onde foi incorporado na expedição naval, comandada pelo almirante George Rose Sartorius, dos famosos 7500 bravos que daquela cidade partiram a 8 de Julho de 1832 e que protagonizaram o desembarque do Mindelo. Na fase final das lutas liberais, integrou a expedição comandada por António José de Sousa Manuel de Meneses Severim de Noronha, depois 1.º duque da Terceira, que partiu do Porto e desembarcou em Cacela, no Algarve. Acompanhou essas tropas no seu percurso até Lisboa, estando entre as primeiras forças liberais que entraram na capital portuguesa a 24 de Julho de 1833.
Assinada a Convenção de Évora-Monte que pôs termo à guerra civil, retomou os estudos, sendo despachado bacharel em Cânones a 13 de Outubro de 1834, beneficiando das dispensas que se concederam aos ex-combatentes liberais. Estando entre os vencedores da guerra e beneficiando das fortes ligações políticas que tinha cimentado no Batalhão Académico, logo a 7 de Junho de 1834 foi nomeado prefeito da Província da Beira Baixa, a qual integrava o seu concelho natal. Permaneceu neste cargo até à extinção das prefeituras, passando então a exercer o cargo de secretário-geral do Governo Civil de Castelo Branco, onde se manteve até 1837.
Sobre a sua acção na prefeitura publicou em Lisboa, ainda em 1834, um opúsculo intitulado Defesa do prefeito da Beira Baixa. Naquele ano foi nomeado administrador-geral interino do Distrito de Portalegre (cargo que anos depois seria redenominado governador civil). Exerceu essas funções até 1839, ano em que resolveu aceitar a nomeação para administrador-geral do Distrito de Angra do Heroísmo, regressando assim à ilha Terceira.
Exerceu as funções de governador civil do Distrito de Beja de 13 de Novembro de 1844 a 27 de Maio de 1846, data em que foi nomeado governador civil de Faro. Durante o seu mandato em Beja teve importante acção na área da beneficência, elaborando um interessante estudo sobre a situação do distrito, incluindo o levantamento das suas primeiras estatísticas, que publicaria já quando governador civil do Funchal. Não chegou a exercer funções em Faro, já que foi exonerado apenas um mês depois de ser nomeado, a 27 de Junho de 1846, passando nessa altura a secretariar António José de Ávila, o futuro 1.º duque de Ávila e Bolama.
José Silvestre Ribeiro chegou ao Funchal a 12 de Setembro de 1846 com as funções de ajudante e secretário de António José de Ávila, então nomeado delegado régio para na ilha da Madeira sindicar as graves desordens que se haviam gerado em resultado do abandono do catolicismo por um numeroso grupo de madeirenses liderados pelo médico escocês e missionário calvinista Robert Reid Kalley. Nessas circunstâncias, a 5 de Setembro de 1846, foi nomeado governador civil do Distrito do Funchal, cargo do qual tomou posse a 7 de Julho de 1846 e no qual teve de imediato de enfrentar os problemas resultantes da intolerância religiosa que levou largas centenas de madeirenses a abandonar a ilha para se irem instalar nas Caraíbas e no estado norte-americano de Illinois, em especial na cidade de Jacksonville.
Na Madeira dedicou grande atenção às questões sociais e de fomento económico, tendo fundado algumas instituições de beneficência e de socorro social. Também a instrução pública lhe mereceu particular cuidado, pois fundou escolas e promoveu a inspecção das existentes, já que a sua eficácia parecia nula. As questões da acessibilidade interna, muito dificultadas pelo relevo escarpado da ilha, também foram por ele consideradas. Teve em especial atenção a construção de pontes e de locais onde fosse possível o descanso dos viajantes obrigados a trepar as grandes ladeiras existentes na ilha. Um desses abrigos é actualmente considerado monumento: a Casa de Abrigo do Poiso. Também a ponte do Ribeiro Seco e a Estrada Monumental, iniciativas do prefeito Luís da Silva Mouzinho de Albuquerque, foram por ele concluídas. A nível do fomento económico, deveu-se a José Silvestre Ribeiro a primeira acção de promoção do bordado da Madeira.
A primeira eleição de José Silvestre Ribeiro como deputado às Cortes ocorreu nas eleições gerais realizadas em Agosto de 1845, sendo eleito pelo círculo de Angra do Heroísmo. Prestou juramento a 26 de Janeiro de 1846, integrando a Comissão de Verificação de Poderes. Naquela legislatura, a sexta da Monarquia Constitucional portuguesa, ocorreu apenas uma sessão legislativa (de Janeiro a Maio), já que os acontecimentos da Revolução da Maria da Fonte, a Emboscada e o desencadear da guerra civil da Patuleia, cedo levaram à suspensão da vida parlamentar. Daí que tenha sido fácil a José Silvestre Ribeiro manter as suas funções no governo civil da Madeira.
Terminada a guerra civil com a assinatura da Convenção de Gramido, volta a ser candidato nas primeiras eleições posteriores à pacificação do país, realizadas em Novembro de 1847. Desta vez foi eleito pelo círculo do Funchal, prestando juramento a 4 de Janeiro de 1849. Veio a destacar-se a sua participação na Comissão Especial encarregada de examinar o projecto de lei do Código Florestal e da reforma da Administração Pública. Na sétima legislatura da Monarquia Constitucional, com sessões de 1 de Janeiro de 1848 a 25 de Maio de 1851, foi um parlamentar activo e assíduo, mantendo o seu estilo de intervenção pertinaz e frequente em matérias de interesse local do seu círculo eleitoral.
Voltou a ser eleito pela Madeira nas eleições gerais de 12 de Dezembro de 1852, prestando juramento a 27 de Abril de 1853. A 2 de Outubro de 1856 o rei fê-lo membro extraordinário do Conselho de Estado. Ao todo proferiu mais de 200 intervenções nesta legislatura, sendo considerado essencialmente pró-governamental, embora tenha recusado uma nomeação para a Comissão Diplomática argumentando ser da oposição.
Estando o Partido Histórico no poder, foi chamado a integrar o ministério presidido por Nuno José Severo de Mendonça Rolim de Moura Barreto, o 1.º duque de Loulé, assumindo o Ministério dos Negócios Eclesiásticos e da Justiça a 7 de Dezembro de 1857. Contudo, a sua experiência governamental pouco durou, pois foi exonerado, a seu pedido, a 31 de Março de 1858. Mesmo assim, em consequência da iniciativa de José Silvestre Ribeiro de constituir uma comissão encarregada das reformas do Código Penal e do Processo Penal, foi constituída uma comissão e foram publicados múltiplos artigos com as opiniões de diversos peritos e corporações sobre as propostas de reforma que iam sendo apresentadas.
Nas eleições gerais de 2 de Maio de 1858 foi eleito pelo círculo de Angra do Heroísmo, constituindo esta a sua última eleição parlamentar. Prestou juramento a 22 de Novembro de 1858. Por esta altura manifestava-se abertamente contra a menorização do espírito de localidade, afirmando que o facto de ser deputado da Nação não deveria impedir a atenção aos interesses de círculo, mesmo que pudesse ser considerado um interesse de campanário. Interessou-se sobremaneira pelas questões da educação e pela defesa da liberdade e transparência eleitorais e pelo fim do arbítrio nas operações de recrutamento militar. Foi um dos subscritores da proposta de lei que visava a libertação de todos os escravos que entrassem nos portos de Portugal e das Ilhas Adjacentes. Fez parte da comissão encarregue de apresentar as bases para a reforma do Código Administrativo, que funcionou de 1862 a 1864, e de múltiplas outras instituições e comissões públicas. Foi elevado ao pariato por carta régia de 29 de Dezembro de 1881, tomando assento na Câmara dos Pares a 30 de Janeiro de 1881. Por esta altura já a sua capacidade e interesse na participação parlamentar estavam reduzidos, tendo sido escassa a sua intervenção nos debates.
Da sua intensa intervenção cívica destaca-se a fundação de múltiplas associações. Foi, entre outras instituições, fundador da Sociedade Protectora dos Animais, e seu primeiro presidente da assembleia geral, e do Montepio Geral, a cuja assembleia geral também presidiu. Foi membro da Associação dos Arquitectos Civis e Arqueólogos Portugueses, cuja revista editou, e sócio honorário da Sociedade Promotora da Agricultura Micaelense.
No campo da literatura, interessou-se pelo estudo das obras de Luís de Camões, Dante Alighieri, Luisa Sigea de Velasco e Calderón de la Barca, entre outros clássicos. Neste contexto dedicou-se a assuntos de linguística e de história da literatura, com especial foco na literatura portuguesa, assunto que foi objecto de uma notável obra sua, e na diferenciação entre a língua portuguesa falada em Portugal e no Brasil. No âmbito da história da cultura, publicou a obra História dos estabelecimentos científicos, literários e artísticos de Portugal nos sucessivos reinados da monarquia, em 18 volumes. A este veio-se juntar um 19.º volume, constituído pelos Apontamentos históricos sobre bibliotecas portuguesas, deixado inédito pelo autor e apenas publicado em 1914, organizado e antiloquiado por Álvaro Neves.
O seu trabalho cultural levou-o a ser eleito membro da Academia Real das Ciências de Lisboa. Colaborou assíduamente em diversos jornais e revistas, entre os quais a Chronica Constitucional do Porto, O Panorama, Jornal do Comercio, A Revolução de Setembro, O Archivo Pittoresco, Encyclopedia Popular, Diario de Notícias, O Conimbricense e muitos outros.
Bibliografia:
domingo, novembro 18, 2007
200 ANOS DAS INVASÕES FRANCESAS
Comemoram-se hoje duzentos anos que as tropas francesas entraram em Portugal, pela fronteira de Segura (concelho de Idanha-a-Nova), iniciando um período dramático da história de Portugal, mas que ao mesmo tempo marcou o início do fim de Napoleão. A memória da trágica e desorganizada passagem das tropas francesas rumo a Lisboa, ainda perdura na memória das populações da Beira. Assim, como se recorda ainda o heroísmo das populações que enfrentaram corajosamente os franceses, perante os roubos, saques e pilhagens cometidos.
sexta-feira, setembro 07, 2007
A IBÉRIA DE SARAMAGO E O ABSURDO
José Saramago em entrevista recente ao Diário de Notícias defendeu a fusão de Portugal com Espanha, nascendo assim um novo país que se chamaria de Ibéria (para não ferir susceptibilidades, imagine-se!!!!). Quanto a mim esta ideia deve-se ao avançado estado de senilidade do autor, mas acho que a melhor resposta a esta ideia foi dada por Cavaco Silva que respondeu «basta conhecer a história de Portugal para dizer que essa hipótese é um total absurdo».
Subscrever:
Mensagens (Atom)






